26/06/2002 - 7:00
O escritório de Hiroyuki Okabe transpira cultura japonesa. As poltronas são brancas, as luminárias orientais e há arranjos de ikebana. Mas não é apenas porque ele nasceu no Japão ou é presidente da subsidiária brasileira da maior montadora japonesa, a Toyota. A regra da corporação em que trabalha é clara: em cada país, opera como uma pequena célula da Toyota. ?A globalização nos trouxe um novo elemento: a competição entre nossas unidades no mundo?, conta Hiroyuki Okabe, diretor-presidente da Toyota do Brasil. ?Quem produz com qualidade e baixo custo ganha.? Neste cenário, a filial brasileira vem marcando pontos. Até sobre a matriz. No começo deste ano, o País substituiu o Japão como fornecedor dos ?kits? Corolla ? os CKDs que são apenas montados localmente ? para países como Venezuela, Chile, Argentina e Caribe. ?O plano é atender também África do Sul e alguns pontos da Europa?, adianta. A decisão passou longe dos quartéis-generais de Toyota City, a 100 quilômetros de Nagóia.
Terceira maior vendedora de carros do mundo, a Toyota quer ser local. A estratégia repete a fórmula de sucesso dos EUA. Há um pequeno diferencial: o mercado nacional tem vendas médias de 1,7 milhão de unidades/ano e potencial para crescer 20% até 2005. Assim como fez naquele mercado, onde comandou uma invasão ? os japoneses detêm, hoje, 25% do mercado ?, o sonho é ganhar a América do Sul. O Brasil não poderia ficar de fora. A empresa acaba de concluir investimentos de US$ 300 milhões para dobrar sua fábrica em Indaiatuba (SP) e multiplicar a capacidade produtiva para 57 mil unidades/ano. Na última semana, mostrou ao País o Corolla 2003, a nova versão do carro mais vendido do planeta. ?Queremos fortalecer nossa presença no mercado premium, mas pensamos em entrar com utilitários ou populares?, adianta à DINHEIRO o presidente mundial, Fugio Cho. A montadora planeja abocanhar 3% do mercado nacional este ano. A meta é pequena, mas difícil frente à participação da Toyota, que é de 1,6%. Mas paciência não é apenas um atributo nipônico. A falta de demanda, no momento, faz com que a montadora ande a passos lentos. ?Isso vai atrasar, mas não afeta nossas metas no Brasil?, conclui Okabe.
Há de se contar ainda que a Toyota busca vôos mais altos. Quer saltar de uma participação mundial de 10% e chegar a 15% em 2010. ?Lançamos este desafio?, diz Cho. Para alcançar a meta, o presidente conta com 240 mil funcionários em 160 países e com o ?Toyota Way?, filosofia criada pelo seu fundador, Kiichiro Toyoda, e transformada num manual interno este ano. O ensinamento que guiou a Toyota nos últimos 65 anos está sendo traduzido para o português.