31/07/2002 - 7:00
Sylvia Vitale-Rotta não sabe pregar um botão. Mas foi ela quem organizou o guarda-roupa que os produtos Sadia têm desfilado nas gôndolas de supermercados. Essa tanzaniana radicada em Paris foi responsável pela maior mudança da história da Sadia, um projeto que consumiu dois anos de trabalho e R$ 20 milhões. ?Nosso grande desafio foi criar embalagens para uma linha extensa, composta por 220 produtos?, conta Sylvia à DINHEIRO. Na última semana, a designer esteve no Brasil para assinar outro contrato com a fabricante de alimentos. O novo projeto, guardado a sete chaves, é um desdobramento da parceria iniciada há dois anos entre a francesa Team Créatif ? empresa comandada por Sylvia e o marido Nick Craig ? e a Sadia. ?Só posso dizer que desta vez o trabalho inclui também o lançamento de novos produtos?, adianta. Animada com a força do varejo local e com o sucesso obtido por aqui, a designer decidiu fincar raízes no País. A Team Créatif também acaba de formalizar parceria com a paulistana Studio Find. ?O Brasil deverá responder por cerca de 15% de nossas receitas já em 2003?, aposta Sylvia. No ano passado, o faturamento de sua empresa atingiu US$ 12 milhões, obtido com clientes do porte de Danone, Mars Group (que produz a marca Whiskas de comida para gatos) e Cadbury-Schweppes.
Ícone. O desembarque no mercado brasileiro é um sonho antigo desta empresária e designer. Seu primeiro contato com o País ocorreu em 2000, quando ela foi incumbida pelos executivos da matriz da Danone da missão de rejuvenescer as marcas de biscoito Triunfo e Aymoré, recém-adquiridos pelo conglomerado alimentício de origem francesa. ?A identidade visual dos produtos era cafona e não chamava a atenção dos consumidores?, lembra Sylvia. No Brasil, a especialista ? que não cobra menos de US$ 650 mil por um trabalho de consultoria ? encantou-se com as embalagens dos já tradicionais Maizena e Catupiry. Mas não poupou críticas para as empresas que insistem em comercializar produtos nas ultrapassadas latinhas de metal que exigem o uso do abridor. ?É um suplício desnecessário para as donas-de-casa?, critica a especialista.