21/01/2026 - 9:45
A Will Financeira, que teve sua liquidação extrajudicial decretada na manhã desta quarta-feira, 21, surgiu em 2017 em meio a multiplicação de fintechs no país. Assim como outras startups, buscava surfar na onda de bancos digitais na época já mais consolidados, como o Nubank.
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Popularmente chamada pelo nome fantasia Will Bank, surgiu com esta identidade no ano de 2020, quando a emissora de cartões de crédito Meu Pag! passou a incorporar novas funções para se tornar um banco digital mais completo. Naquele ano, chegou à marca de 1,6 milhão de clientes após conquistar 400 mil novas contas. Seu lucro saltou 338%, para R$ 14,91 milhões.

Em 2021, a empresa se colocava como um impulsionador da bancarização no país. Dados divulgados pela própria fintech afirmavam que 40% dos seus clientes tinham um cartão de crédito pela primeira vez. Sua força estava concentrada sobretudo na região Nordeste, onde estavam 60% dos seus clientes. “Somos o banco que diz sim aos invisíveis do crédito”, disse então o CEO e cofundador Felipe Félix em entrevista ao Brazil Journal.
Em julho daquele ano, a empresa recebeu um aporte de R$ 250 milhões liderado pela XP e Atmos Capital.
Em sua estratégia de marketing, a empresa investia em personalidades com apelo jovem, como o humorista Whindersson Nunes e as cantoras Pabllo Vittar e Danny Bond. Também fechou parcerias com ex-BBBs como a médica Thelminha Assis, e até em programas de televisão como o Domingão.
Will foi comprado pelo Banco Master
A liquidação extrajudicial do Will acontece após o Banco Central decretar também o fim de outras instituições ligadas ao Banco Master. A aquisição da fintech pelo conglomerado Master, no entanto, ocorreu apenas em fevereiro de 2024, em uma operação de valor não divulgado.
Na ocasião, o Will Bank informava contar com 1,2 mil colaboradores e atender 6 milhões de clientes em todo o país, por meio de um portfólio de produtos e serviços que incluía cartão de crédito e débito, conta digital, investimentos, crédito pessoal e marketplace.
“Com a aquisição do Will Bank, passamos a ter um ecossistema digital completo, com tecnologia robusta e capilaridade na distribuição de produtos financeiros”, afirmou então o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Crise e liquidação extrajudicial
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, sob acusações de que a instituição financeira enfrentava “uma grave crise de liquidez”. O FGC (Fundo Garantidor de Crédito) informou que o banco detinha um patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$122 bilhões correspondiam a recursos líquidos em caixa, para o exercício de sua atividade, conforme dados do fechamento de setembro.
Apesar da destituição do conglomerado, o Banco Central optou por manter o Banco Master Múltiplo operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET), mecanismo que permite ao banco continuar funcionando enquanto uma nova equipe tenta consertar a casa. Sob sua alçada, estava a Will Financeira.
As tentativas de salvar o Will, no entanto, falharam. Na última segunda-feira, 19, a Will Financeira deixou de honrar um arranjo de pagamentos com a Mastercard. “Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”, afirmou o Banco Central.
