06/11/2002 - 8:00
Esqueça as intermináveis palestras. Esqueça também o café e o suco entre um seminário e outro. A filosofia de treinamento das empresas mudou. A onda agora é pendurar executivos a uma altura de 20 metros e fazê-los dormir em barracas de camping. ?Eles precisam sair da rotina, passar por situações adversas?, diz Sérgio Zolino, ex-atleta de triatlon que criou a Adventure Camp e agora se dedica a montar programas para empresas. Natura, Ambev e Pão de Açúcar são algumas que já pagaram para que seus executivos passassem um fim de semana percorrendo rios, correndo de bicicleta e escalando montanhas. O objetivo é observar como cada participante reage a armadilhas. É comum, por exemplo, deixar que as equipes se percam. Ou obrigá-los a cruzar o rio com um só remo. Geralmente, a Adventure Camp recebe 100 funcionários por empresa, que desembolsa até R$ 100 mil pelo treinamento.
Aventura sim, perigo não. Nos treinamentos ?outdoor?, os
executivos se vêem diante de desafios físicos ? bem diferentes de problemas típicos da empresa. A parte boa é que, em todas as modalidades, existe um batalhão de técnicos prontos para dar suporte. Uma semana antes do treinamento, os participantes passam por um curso preparatório, que inclui noções básicas de primeiros socorros. ?A intenção é simular situações de perigo?, diz Cláudia Vidigal, que organiza as aventuras dos executivos. É nesse momento, por exemplo, que os psicólogos podem avaliar se um diretor tem controle suficiente para tomar decisões sob pressão. Os funcionários passam um fim de semana se preparando para ?a grande corrida?, que acontece no domingo. É uma espécie de prova final, que inclui várias modalidades, como bicicleta e remo, numa só competição. ?É nessas horas que eles colocam suas insatisfações para fora?, conta Zolino.