Presidente dos EUA duz que vai impor tarifa básica de 10% sobre tudo que o país importa. UE e China estão entre os mais afetados, com tarifas de 20% e 34%, respectivamente.O presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (02/04) que vai impor uma tarifa básica de 10% sobre tudo que os Estados Unidos importam – inclusive do Brasil –, com tarifas ainda mais altas sobre a União Europeia (20%) e a China (34%), dentre outros cerca de 60 países. Nos casos mais extremos, que atingem países menores, a tarifa chega a 49%.

A medida, que Trump diz que incentivará a produção americana e engordará os cofres do governo, na verdade deve piorar a inflação no país ao intensificar uma guerra comercial que ele deflagrou desde que retornou à Casa Branca.

A tarifa básica vai entrar em vigor neste sábado, e as demais tarifas, em 9 de abril.

Os encargos erguem novas barreiras em torno da economia que mais consome no mundo, revertendo décadas de liberalização comercial que moldaram a ordem global. Mercados futuros de ações nos EUA caíram após o anúncio de Trump.

“É a nossa declaração de independência”, disse o republicano em evento no Jardim das Rosas da Casa Branca, promovido com pompa sob o nome “dia da libertação”. “O dia 2 de abril de 2025 será para sempre lembrado como o dia em que a indústria americana renasceu.”

Trump exibiu um cartaz que listava “tarifas recíprocas” em resposta a taxas aduaneiras impostas sobre produtos americanos no exterior. Os percentuais teriam sido calculados por auxiliares da Casa Branca considerando câmbio e barreiras não tarifárias.

Segundo o americano, os países que quiserem isenção das “tarifas recíprocas” terão que mudar sua política comercial. “Acabem com suas tarifas, derrubem suas barreiras, não manipulem suas moedas”, disse, “e comecem a comprar dezenas de bilhões de dólares de produtos americanos”.

Tarifas sobre importados em patamar mais alto desde 1910

A Fitch Ratings, agência de classificação de risco de crédito, afirma que, com o anúncio desta quarta-feira, as tarifas sobre importados nos EUA saltaram de 2,5% em 2024 para 22% – um patamar que não era visto desde 1910.

“Isso muda tudo, não só para a economia americana mas também para a economia global”, disse Olu Sonola, chefe de pesquisa econômica da agência. “Muitos países provavelmente acabarão em recessão. Pode descartar a maioria das previsões, se esse nível de tarifa se mantiver por um período estendido de tempo.”

Atualmente já vigora uma tarifa de 25% sobre aço e alumínio, que afeta Canadá e México, os dois maiores parceiros comerciais dos EUA, assim como o Brasil e a UE, afetando uma cadeia de produtos derivados estimada em quase 150 bilhões de dólares.

Trump também já havia imposto anteriormente tarifas de 20% sobre todas as importações da China.

A partir desta quinta-feira (03/04), também deverão ser tarifados em 25% todos os carros importados que entram nos EUA.

A mesma fonte da Casa Branca citada pela Reuters afirma que está em avaliação a imposição de tarifas ainda a semicondutores, medicamentos e minerais críticos.

Nesta quarta, Trump também editou um decreto para acabar com a isenção de tarifas a produtos baratos importados.

A União Europeia, que já havia ameaçado retaliar às medidas, deve se pronunciar nesta quinta-feira por meio da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Já o Brasil aprovou no Congresso um projeto de lei que autoriza o governo a retaliar comercialmente países que imponham barreiras comerciais ou ambientais contra produtos brasileiros. A proposta foi aprovada às pressas nesta quarta-feira na Câmara e segue agora para sanção presidencial.

À DW, o ministro alemão das Finanças, Jörg Kukies, disse que as tarifas de Trump vão atingir os consumidores americanos “muito duramente, porque os carros vão ficar mais caros nos EUA, inclusive os carros produzidos por montadoras alemãs nos EUA”.

Segundo ele, essas montadoras alemãs nos EUA produzem muito mais do que importam.

Kukies frisou que os alemães seguem empenhados em negociar com os americanos, e que o novo governo alemão que assumirá em breve vai propor a criação de uma zona de livre comércio entre UE e EUA.

O ministro diz que isso eliminaria “todas as assimetrias”, já que as tarifas seriam zeradas.

Economistas alertam para risco de recessão

A série de penalidades comerciais impostas por Trump tem abalado os mercados financeiros e as empresas que dependem de acordos comerciais em vigor desde meados do século passado. Desde fevereiro, ações na bolsa americana perderam quase 5 trilhões de dólares em valor.

Assessores da Casa Branca afirmam que as tarifas trarão de volta aos Estados Unidos capacidades industriais estrategicamente vitais.

Economistas independentes, porém, alertam que as medidas podem desacelerar a economia global, aumentar o risco de recessão e elevar em milhares de dólares o custo de vida dos americanos, já que os custos mais elevados tendem a ser repassados ao consumidor.

As preocupações com as tarifas já desaceleraram a atividade industrial em todo o mundo, ao mesmo tempo que impulsionaram as vendas de automóveis e outros produtos importados, à medida que consumidores correm para comprar antes do aumento de preços.

ra (Reuters, dpa, ots)