02/04/2025 - 17:26
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, na tarde desta quarta-feira, 2, tarifas de, pelo menos, 10% sobre as importações de produtos do Brasil. O anúncio faz parte do pacote de tarifas recíprocas prometido por Trump. Não há uma alíquota única padronizada para todos os países.
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“O presidente Trump imporá uma tarifa individualizada recíproca mais alta aos países com os quais os Estados Unidos têm os maiores déficits comerciais. Todos os outros países continuarão sujeitos à tarifa básica original de 10%”
Trump apresentou uma tabela em que exibiu as tarifas de cada país. Os 10% aplicados ao Brasil também valem para outros países da América Latina, como Argentina e Colômbia. Para China, a tarifa anunciadas será de 34%, enquanto para a União Europeia, de 20%. Para o Japão será de 24% e para Índia de 26%.
Já para todos os carros produzidos fora do país, por exemplo, será aplicada uma tarifa de 25%, conforme destacou durante o anúncio, quando convidou um trabalhador de Detroit, cidade que já foi o principal polo automobilístico dos EUA, para falar sobre a importância das tarifas.
As novas tarifas de importações serão aplicadas em duas fases, sendo as de 10% começando em 5 de abril e os percentuais mais altos valendo a partir de 9 de abril. As novas tarifas não serão aplicadas a produtos de defesa, energia, alguns minerais, fármacos, semicondutores e madeiras.
Em comunicado publicado pela Casa Branca, o Brasil é citado três vezes. Primeiramente, o documento diz que o Brasil, assim como a Indonésia, impõe tarifas mais altas ao etanol do que os EUA. Sendo 18% a tarifa brasileira, 30% a indonésia e de 2,5% a americana.
E então, o Brasil é citado no comparativo sobre a tarifa média simples (NMF na sigla em inglês), em que a dos EUA seria de 3,3%, enquanto do Brasil é de 11,2%, da China de 7,5%, UE com 5%, Índia de 7% e Vietnã de 9,4%. O Brasil também é citado diretamente como um dos países (junto com Argentina, Equador e Vietnã) que proíbem ou restringem a importação de produtos remanufaturados dos EUA, o que segundo o governo americano, reduz exportações americanas e prejudica políticas de sustentabilidade.
“Dia histórico”
Em pronunciamento no jardim da Casa Branca, sede do governo americano, Trump afirmou que hoje é “um dia histórico”, quando os outros países deixariam de ganhar “as custas dos Estados Unidos”. Mais cedo, o presidente postou em sua rede social, a Truth Social, uma mensagem dizendo “é o dia da libertação na América”.
Durante o anúncio, Trump chegou a dizer que o ato era “a nossa declaração de independência”.
“Seremos espertos e inteligentes novamente”, disse Trump em seu discurso, chamando as tarifas de “rendição econômica”. Segundo Trump, “os déficits comerciais não são mais apenas um problema econômico. Eles são uma emergência nacional.”
“Emergência nacional”
No comunicado da Casa Branca, o governo alega “emergência nacional” para a imposição de tarifas adicionais.
“O presidente Trump está invocando sua autoridade sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977 (IEEPA) para lidar com a emergência nacional representada pelo grande e persistente déficit comercial causado pela ausência de reciprocidade em nossas relações comerciais e outras políticas prejudiciais, como manipulação de moeda e impostos exorbitantes sobre valor agregado (IVA) perpetuados por outros países”, diz o texto.
Segundo o documento, o presidente poderá aumentar ou reduzir tarifas caso países retaliem ou façam concessões.
O texto destaca, ainda, que Trump é o primeiro presidente na história moderna a defender “firmemente” os trabalhadores americanos, pedindo que outros países sigam a “regra de ouro do comércio”: tratem-nos como nós tratamos vocês.
O texto reforça o que eles chamam de “regra de ouro”, afirmando que “’Made in America’ não é apenas um slogan — é uma prioridade econômica e de segurança nacional desta Administração. A agenda de comércio recíproco do Presidente significa empregos americanos mais bem pagos, produzindo belos carros, eletrodomésticos e outros bens feitos nos Estados Unidos.”
México e Canadá de fora
O presidente dos EUA, Donald Trump, não está impondo sua nova tarifa global de 10% sobre os produtos do Canadá e do México, enquanto seu decreto anterior permanecer em vigor para tarifas de até 25% sobre muitos produtos dos dois países em conexão com questões de controle de fronteiras e tráfico de fentanil.
“Para o Canadá e o México, os decretos existentes sobre fentanil/migração… permanecem em vigor e não são afetadas por esse decreto”, disse o documento da Casa Branca.
“Isso significa que os produtos em conformidade com o USMCA (Acordo EUA-México-Canadá) continuarão a receber uma tarifa de 0%, os produtos não compatíveis com o USMCA receberão uma tarifa de 25% e a energia e o potássio não compatíveis com o USMCA receberão uma tarifa de 10%. Caso os decretos existentes sobre fentanil/migração… sejam encerrados, os produtos em conformidade com o USMCA continuarão a receber tratamento preferencial, enquanto os produtos que não estiverem em conformidade com o USMCA estarão sujeitos a uma tarifa recíproca de 12%.”
*com Reuters