O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou nesta quarta-feira, dia 2, a relação de seu país com o Brasil, enquanto se vangloriava de influenciar e “eleger” aliados na América do Sul. A declaração ocorreu no contexto de uma análise sobre a guinada à direita dos governos na região, destacando um respeito renovado pelo poder americano.

O que aconteceu

  • Donald Trump elogiou a relação dos EUA com o Brasil e com a América do Sul, celebrando uma suposta “guinada à direita” na região.
  • O Presidente americano afirmou ter apoiado e ajudado a eleger líderes conservadores, citando casos na Argentina e na Colômbia.
  • Apesar de ter recebido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e empresários brasileiros, Trump evitou mencionar o atual presidente brasileiro ou a disputa nacional.

“Essa parte do nosso hemisfério está se mostrando muito diferente do que era. Eles deixaram de ser de esquerda e estão indo para a direita. Todos estão indo para a direita”, afirmou Trump, que atualmente é o principal pré-candidato do Partido Republicano à presidência dos EUA.

“Temos um bom relacionamento com o Brasil, um bom relacionamento na verdade, com quase todos (países) eles agora. Eles têm muito respeito pelo nosso país. Há dois anos, eles não respeitavam nosso país de jeito nenhum.”

Quem são os aliados de Trump na região?

Trump havia sido questionado por repórteres na Casa Branca se tinha planos de instalar bases militares americanas na América do Sul. Em resposta, ele abordou a questão das eleições nos países do continente, elogiando genericamente a cooperação regional com os Estados Unidos.

Ele citou os casos da Argentina, sem mencionar diretamente o aliado Javier Milei, a quem ajudou em eleições de meio de mandato congressuais, e também a recente eleição de Abelardo de la Espriella, outro alinhado, na Colômbia.

“Ótimo você mencionar a América do Sul porque, como sabe, eu apoiei um cavalheiro, o El Tigre. Gosto desse nome. Acho que isso significa que ele é um cara durão. Ele agora é o presidente da Colômbia. Não se esperava que ele vencesse. Ele era um dos 10 candidatos, não era o favorito, mas acabou vencendo e está fazendo um ótimo trabalho. Ele foi eleito. Temos várias pessoas… na Argentina, muitas pessoas que ajudei a eleger”, afirmou Trump.

A eleição na Colômbia e a interferência em favor de Espriella, por parte de Trump, foi observada com atenção no Palácio do Planalto, que teme uma declaração de apoio por parte dele na disputa nacional.

As relações de Trump com o governo Lula

No caso do Brasil, o presidente americano limitou-se a comentar que existe atualmente um relacionamento positivo, sem mencionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o processo eleitoral ou seu principal rival na disputa, o opositor Flávio Bolsonaro (PL).

Neste ano, Donald Trump recebeu visitas de ambos no Salão Oval da Casa Branca. Mas o governo Lula reclamou depois de tentativas de ingerência eleitoral por parte do governo Trump, especialmente devido ao histórico de apoio a políticos de direita na região.

O Palácio do Planalto retomou o contato direto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump como forma de tentar evitar uma manifestação dele em apoio a Flávio Bolsonaro e contornar assessores do presidente americano hostis a Lula e simpáticos ao bolsonarismo, como Marco Rubio, secretário de Estado.

O que move os interesses comerciais?

Nos últimos dias, Donald Trump também recebeu empresários brasileiros em Washington. Ele conversou com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, sobre a relação comercial com o Brasil e a situação política.

Além disso, recebeu novamente Joesley Batista, da J&F, para discutir redução de tarifas sobre carne bovina brasileira, conforme reportagem do Wall Street Journal.

Os dois governos voltaram a negociar a relação comercial e o tarifaço de Trump, após o telefonema entre os presidentes, um mês depois da aplicação da sobretaxa de até 37,5% sobre as exportações brasileiras.

 

 

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