30/01/2020 - 3:13
Donald Trump tenta nesta quinta-feira (30) roubar o protagonismo dos rivais democratas com um comício em Iowa, poucos dias antes da primeira votação neste estado nas primárias para escolher o adversário do republicano nas eleições presidenciais americanas de novembro.
Enquanto vários pré-candidatos democratas estão em campanha antes de começar a votação em Iowa na segunda-feira, Trump fará um comício para insistir na mensagem de que ninguém terá chance de evitar o seu segundo mandato.
O presidente deve atacar a dificuldade dos democratas de encontrar, a quase nove meses da eleição, um claro adversário que represente uma alternativa unificada a Trump.
O senador de esquerda Bernie Sanders, 78 anos, e Joe Biden, 77 anos, moderado ex-vice-presidente de Barack Obama, lideram as pesquisas em Iowa, que vota na próxima segunda-feira.
Enquanto os candidatos se enfrentam entre si e os eleitores continuam indecisos sobre em quem votar, Biden atacou diretamente o presidente – em uma tentativa de demonstrar que está pronto para ser seu adversário nas presidenciais de novembro. “Não posso esperar para debater com este homem”, disse em comício em Waukee.
O ex-vice-presidente acusou Trump de querer “destroçar” o sistema de saúde impulsionado por seu antecessor Obama, de ignorar a ameaça das mudanças climáticas, de “se afastar” dos aliados de Washington, de “abraçar ditadores” e de criar o risco de “iniciar uma guerra com um tuíte”.
O presidente, que desembarcará em Des Moines durante a noite, certamente vai criticar as tentativas dos democratas de afastá-lo do poder com um processo de impeachment que está em curso no Senado.
Alguns simpatizantes do presidente já estavam na fila um dia antes do comício na Universidade Drake.
Trump também terá a oportunidade de elogiar a própria gestão, especialmente depois de assinar recentemente o T-MEC, o acordo comercial com México e Canadá.
O presidente fará uma escala antes em Michigan, estado crucial nas eleições, onde visitará uma fábrica para falar sobre um pacto comercial.
– Luta livre –
Na segunda-feira, os pré-candidatos democratas iniciam a batalha das primárias, antes das próximas etapas: New Hampshire em 11 de fevereiro e Nevada no dia 22.
Com muitos eleitores de Iowa indecisos, a disputa democrata segue aberta e os aspirantes enviaram milhares de voluntários ao estado em uma tentativa de última hora para obter apoio.
Na opinião de Troy Price, presidente do partido democrata em Iowa, embora o número recorde de democratas que começou a tentar se candidatar à Casa Branca mostre uma diversidade nunca antes vista, há uma dezena de candidatos muito bons em jogo, gerando dúvida nos eleitores.
Biden, Sanders, o ex-prefeito Pete Buttigieg e a senadora Elizabeth Warren lideraram as recentes pesquisas no estado.
Mas na última pesquisa da Universidade Monmouth, divulgada na quarta-feira, Biden aparece à frente com 23% de apoio, seguido por Sanders com 21%.
Warren, 70 anos, que assim como Sanders defende ideias progressistas como um sistema de saúde universal, aparece na terceira posição com 16%.
Buttigieg, de 38 anos e um centrista como Biden, tem 15% e a senadora moderada Amy Klobuchar é a quinta com 10%.
– Trump com medo de Biden? –
Sanders, Warren e Klobuchar, todos senadores, não puderam estar em Iowa por causa do julgamento político contra Trump.
Warren, que conseguiu o apoio do principal jornal do estado, mas tem dificuldades para ampliar sua influência, enviou para Iowa o seu cachorro, Bailey, e o seu marido para conquistar mais votos naquele estado.
Por sua vez, Biden percorreu todo o estado em um ônibus, e na cidade de Council Bluffs acusou Trump de tentar prejudicá-lo por ter medo de enfrentá-lo nas eleições em novembro.
“Esse é o presidente que tramou com um país estrangeiro para tentar me prejudicar”, disse.
A defesa de Trump insiste que o cargo remunerado de Hunter Biden em uma empresa ucraniana de gás, na época em que seu pai era vice-presidente de Barack Obama, constitui conflito de interesses.
