Você conhece a Framboezinha? E o Guaraná Pureza? Provavelmente não. Com exceção de Santa Catarina, onde essas bebidas disputam o gosto do consumidor ombro a ombro com Guaraná Antártica e Fanta Laranja, o resto do País desconhece esses refrigerantes. Mas seja onde o leitor estiver, há certamente pelo menos uma marca regional, as chamadas tubaínas, aquelas mais baratas, com sabores inusitados, que estão em qualquer vendinha ou supermercado. Não é para menos: as pequenas fabricantes de bebidas têm um terço do mercado nacional, de R$ 12 bilhões anuais liderado por gigantes como Ambev, Coca-Cola e Pepsi. A novidade é que elas, pela primeira vez, resolveram se unir. Fundaram a Associação dos Fabricantes de Refrigerantes Regionais do Brasil, a Afrebras, que com sete meses de vida já congrega 80 dos cerca de 350 fabricantes espalhados pelo País. ?Nem quanto somos exatamente nós sabemos. Só agora encomendamos uma pesquisa para traçar um perfil do setor?, diz Fernando Bairros, presidente da nova associação, que há dez dias organizou em São Paulo o primeiro Congresso da Afrebras.

No encontro, pela primeira vez, os fabricantes de refrigerantes regionais discutiram metas comuns para o setor. A principal delas tem a ver com impostos. ?Pagamos impostos demais, enquanto Ambev e outros grandes têm isenção?, diz Cid Gallo, diretor comercial da Xereta, empresa que produz ao ano 12 milhões de litros de refrigerantes que vão desde guaraná a misturas como uva e abacaxi. Mas quanto os pequenos fabricantes pagam de impostos? Qual a isenção que os líderes do setor têm? ?Ainda não sabemos. O setor era tão desunido que não temos esses dados. A primeira missão da associação é organizar essas informações?, diz Bairros. Mesmo sem dados exatos, a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes refuta a acusação dos pequenos fabricantes. Por meio de sua assessoria de imprensa, disse que o sistema tributário adotado pela Receita Federal tem como objetivo combater a sonegação fiscal. Um dos maiores fabricantes do Brasil, a Ambev, também não aceita o argumento dos pequenos. A empresa se diz um dos maiores contribuintes do País, com R$ 7 bilhões pagos aos cofres públicos em 2004.

Brigas à parte, as pequenas vão traçando suas estratégias. A Xereta exporta seus refrigerantes para 11 países, entre eles EUA, Inglaterra, China e Austrália. ?Existe o mercado da saudade, que é o de brasileiros no exterior, caso dos EUA e do Reino Unido. Mas há também o mercado do exótico, que são compradores como a Austrália, onde o guaraná é visto como um energético natural?, explica Gallo. Ele diz que, graças às vendas externas, sua receita cresceu 15%. Os fabricantes regionais também estão ganhando mercado com as marcas próprias de supermercados. São eles que produzem os refrigerantes vendidos com as marcas Carrefour, Extra, Wal-Mart. A Afrebras calcula que o setor cresceu 6% depois dessas parcerias.

Mesmo sem números que comprovem isso, os regionais garantem que a cada dia aumenta a quantidade de novos tipos de bebidas e produtores. Gilson Freitas, da indústria Imperatriz, de Imperatriz (MA), prepara o lançamento de refrigerantes de frutas da região, como Cupuaçu e Taperebá. ?O povo quer e prefere esses sabores ao da Coca-Cola?, afirma ele. Em Palmas (TO), o empresário Salmo Cabral vendeu a sua concessionária Volkwagen para montar, há um ano, uma fábrica de refrigerantes. Investiu R$ 1,8 milhão e já vende 500 mil litros por mês. Até janeiro, a meta é triplicar o volume. ?Lá em Palmas faz 46 graus à sombra. Ninguém quer saber de carro. Quer tomar tubaína o dia inteiro.?

Multa recorde para a Coca-cola

A Coca-Cola do México recebeu a maior multa da história do país contra monopólio: US$ 68 milhões. Isto porque uma dona de loja mexicana entrou na Justiça contra a empresa, denunciando que a Coca-Cola exigia que o estabelecimento vendesse apenas os produtos da marca e deixasse de comercializar outros refrigerantes, como o Big Cola, rival que está há dois anos no mercado e vende suas bebidas a preços mais baixos que os da gigante americana. O dinheiro deve ir integralmente para os cofres do governo mexicano, mas a Coca-Cola ainda pode recorrer da decisão.