O presidente turco, Recep Tayip Erdogan, e o Primeiro-Ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, disseram, neste domingo (13), que querem “se concentrar sobre os que une” e não sobre temas que os opõem, no contexto da guerra na Ucrânia.

Erdogan aproveitou a visita do primeiro-ministro grego ao patriarca Bartolomeu I de Constantinopla, primaz das igrejas ortodoxas, entre elas a da Grécia, para convidá-lo para um almoço em sua residência presidencial em Istambul.

“A reunião se concentrou nas vantagens de uma cooperação crescente entre os dois países”, membros da Otan, indicou a presidência turca após o encontro de duas horas.

“Apesar dos desacordos entre Turquia e Grécia, acordou-se (…) manter abertos os canais de comunicação e melhorar as relações bilaterais”, acrescentou a Presidência turca em um comunicado.

Antes do almoço, Mitsotakis assistiu a uma celebração na catedral ortodoxa de São Jorge, a principal da Turquia, em Istambul.

Uma etapa muito política no contexto da guerra da Ucrânia, pois o patriarca de Constantinopla reconheceu o estatuto independente da igreja ucraniana, desencadeando a ira da Rússia.

Bartolomeu, que afirmou no início de março “ser objetivo de Moscou”, clamou, durante a missa, a um “cessar fogo imediato em todos os fronts” da guerra entre Rússia e Ucrânia, que disse observar com “angústia no coração”

O patriarca também saudou a “vigorosa resistência” dos ucranianos e “a valente reação dos cidadãos russos”.

A relação tradicionalmente conflitante entre Grécia e Turquia se agravou nos últimos anos por causa das tentativas da exploração e prospecção turca no Mediterrâneo ocidental.

A cúpula “ocorre motivada pela guerra da Ucrânia, porém será avaliada no âmbito do diálogo greco-turco iniciado após a distensão da crise” do verão de 2020, disse à AFP Antonia Zervaki, professora adjunta de relações internacionais da Universidade de Atenas.