28/03/2026 - 12:00
Pouco mais de uma década depois de revolucionar a mobilidade urbana por meio de seus serviços via aplicativo, a Uber se movimenta rumo a mais uma drástica mudança: a frota sem motoristas. A companhia acaba de anunciar um aporte de US$ 1,25 bilhão na fabricante de veículos elétricos norte-americana Rivian, como parte de um acordo estratégico que visa a implantação de dez mil utilitários R2 totalmente autônomos.
Uber investe US$ 1,25 bilhão para disponibilizar dez mil veículos autônomos nas ruas até 2031. Frota deve começar a operar em 2028 nos Estados Unidos
Os veículos operarão como robotáxis a partir de 2028, primeiro em Miami e São Francisco, nos Estados Unidos. O aporte financeiro será estruturado em etapas: a Uber realizará um investimento inicial de US$ 300 milhões, e o restante será injetado até 2031, condicionado ao cumprimento de objetivos técnicos e operacionais específicos por parte da Rivian. Esse investimento é considerado crucial para a Rivian, pois fornece capital estratégico e garante um parceiro comercial de alto volume em um momento de transição.
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A fabricante de elétricos consegue respirar um pouco neste momento. Em comunicado recente, informou ao mercado que não espera mais atingir o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado em 2027. A revisão nas metas financeiras ocorre pela pressão do aumento nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) voltados à tecnologia de direção autônoma.
Para James Picariello, analista do BNP Paribas, o movimento era esperado. O especialista mantém a expectativa de que a Rivian atinja o ponto de equilíbrio do Ebitda em 2028, alcançando um fluxo de caixa livre positivo em 2030. O aporte inicial da Uber deve ser suficiente para cobrir os gastos adicionais previstos com P&D no curto prazo, acredita o banco.
O interesse global em táxis sem motorista registrou forte alta nos últimos meses, após anos de promessas não concretizadas pelo setor. O avanço da inteligência artificial (IA) e a consolidação de parcerias tecnológicas oferecem novas perspectivas para solucionar cenários complexos de tráfego com maior agilidade, além de mitigar os elevados custos operacionais de desenvolvimento.
Embora a Rivian, conhecida pelos modelos de alto padrão R1S e R1T, ainda não tenha operado um robotáxi, a empresa revelou seu primeiro chip personalizado para condução autônoma em dezembro passado e prepara o lançamento de utilitários R2, mais acessíveis, para este trimestre.
Concorrência
No cenário competitivo, a Waymo, subsidiária da Alphabet, já opera cerca de 2,5 mil táxis autônomos em diversas cidades norte-americanas e tem acelerado novos lançamentos.
Paralelamente, a Tesla iniciou um serviço de carros autônomos em Austin, no Texas, com o CEO Elon Musk prometendo uma expansão rápida ainda em 2026.
Os veículos R2 autônomos da Rivian estarão disponíveis exclusivamente na plataforma da Uber, com operações iniciais previstas para São Francisco e Miami. O acordo prevê ainda uma opção de compra de até 40 mil unidades a partir de 2030.
Se todos os marcos forem alcançados, as empresas terão implantado milhares de táxis-robôs Rivian R2 sem supervisão em 25 cidades até o final de 2031.
Com o movimento, a Uber reforça sua posição como um mercado agregador para diversas operadoras de veículos autônomos. Atualmente, a gigante do transporte por aplicativo mantém parcerias com players relevantes do setor, incluindo Waymo, Baidu, Lucid e a fabricante de chips Nvidia. A colaboração com a Nvidia foca especificamente no aproveitamento de plataformas de IA e simulação para apoiar o dimensionamento seguro dos sistemas de carros sem motorista em escala global, abrangendo operações nos Estados Unidos, Canadá e Europa.
Enquanto isso, na América do Sul…
Consolidada, a Uber vem noticiando investimentos em países da América do Sul –caso de Brasil e Argentina. No início deste ano, a companhia anunciou investimento para expandir as operações no Brasil, com a confirmação de estruturar um segundo escritório na capital paulista. A nova área terá cerca de 16 mil metros quadrados, distribuídos em onze andares para reunir até mil profissionais. O espaço no Itaim Bibi vai reunir um time de perfil técnico para desenvolver produtos para os mais de 70 países em que a Uber atua.
A expectativa é de que a unidade esteja plenamente operacional até o primeiro trimestre de 2027. Com o novo escritório, a empresa supera R$ 2 bilhões em quatro ondas de investimentos em tecnologia no país. Em meados deste mês de março, o CEO global da Uber, Dara Khosrowshahi, reuniu-se com o ministro da Economia argentino, Luis Caputo, e disse ter o interesse de investir US$ 500 milhões para expandir operações locais nos próximos três anos.
