A União Europeia e o FMI aprovaram, este domingo, um plano de ajuda de 85 bilhões de euros (113 bilhões de dólares) para salvar o setor bancário da Irlanda, e anteciparam as linhas gerais de um futuro fundo permanente de ajuda à zona do euro para espantar o fantasma de uma crise que agora assombra Portugal e Espanha.

Reunidos em Bruxelas, os ministros das Finanças da UE anunciaram, em um comunicado que, em comunicado conjunto com o Fundo Monetário Internacional “concordaram de forma unânime em dar uma ajuda financeira” a Dublin.

O plano de ajuda da UE e do FMI para a Irlanda será de 85 bilhões de euros (113 bilhões de dólares), sendo 35 bilhões destinados aos bancos irlandeses e 50 bilhões de euros para as necessidades orçamentárias do país, anunciaram o chefe dos ministros de Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker, e o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn.

Dos 35 bilhões de euros destinados ao setor bancário, 10 bilhões servirão para a “recapitalização imediata” e 25 bilhões estarão disponíveis “caso seja necessário” para apoiar o setor, explicou Rehn, que anunciou, durante entrevista coletiva após reunião celebrada em Bruxelas, que o plano de ajuda havia sido “validado” pelos ministros das Finanças do bloco.

As autoridades irlandesas detalharam em um comunicado divulgado em Dublin que, do total de 85 bilhões de euros, 22,5 bilhões (30 bilhões de dólares) virão do Fundo Monetário Internacional, outros 22,5 bilhões do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSM, na sigla em inglês) e 22,5 bilhões a mais do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) e empréstimos bilaterais, outorgado nas mesmas condições que o restante do plano.

A Irlanda contribuirá para o plano com os 17,5 bilhões de euros (23,2 bilhões de dólares) restantes, financiados em parte por seu fundo de pensões.

Foi a ajuda do governo irlandês ao setor bancário em crise que disparou o déficit público a 32% do PIB este ano, um nível insustentável que fez soar os alertas nos mercados e originou o dispositivo de ajuda internacional.

Em Dublin, o premier irlandês, Brian Cowen, descartou categoricamente a suspensão de pagamentos da colossal dívida da ilha, como quer parte da população, e assegurou que a Irlanda “não é um país irresponsável”, ao anunciar que a Irlanda terá que pagar uma taxa de juros média e flexível de 5,8% ao ano no âmbito deste plano de resgate.

Esta taxa é superior à de 5,2%, imposta à Grécia, primeiro país a receber ajuda internacional na primavera (boreal) passada, mas inferior à de 6,7%, que a imprensa especulava até a véspera.

“Se (o plano) for aplicado na totalidade, a taxa média anual acumulada será da ordem de 5,8% anuais. Esta taxa vai variar em função do momento em que a linha de crédito for utilizada e das condições do mercado”, explicou Cowen.

“A contribuição do Estado a este programa de 85 bilhões de euros será de 17,5 bilhões (de euros), que virão do nosso Fundo Nacional de Reserva para as Pensões, assim como outra liquidez nacional”, afirmou.

A Irlanda será o segundo país da zona do euro a receber este ano o respaldo dos sócios, depois da Grécia, para enfrentar os efeitos de uma severa crise econômica.

Os irlandeses esperavam com angústia o anúncio destes detalhes, depois que o governo anunciou, na quarta, um drástico plano de ajuste quadrienial de 15 bilhões de euros (20 bilhões de dólares), que inclui altas de impostos e cortes salariais entre os funcionários. No sábado, uma grande manifestação de protesto foi realizada em Dublin por conta deste plano.

Além disso, a UE deu a Dublin mais um ano, até 2015, para reduzir para 3% do PIB seu déficit público, que se espera que alcance este ano 32%, inflado pelas injeções de liquidez que o governo efetuou para salvar os bancos.

Ajudando a Irlanda, Europa e FMI esperam conter o efeito dominó que ameaça derrubar outros países da zona do euro em apuros orçamentários, começando por Portugal e seguindo com a Espanha.

Para acalmar os mercados, os ministros das Finanças da Eurozona aceleraram os preparativos do futuro fundo permanente de ajuda aos países com problemas fiscais, que deve entrar em vigor em meados de 2013, em substituição ao mecanismo atual de três anos.

O atual fundo, do qual participam os membros da Eurozona e o FMI, tem capacidade de até 750 bilhões de euros.

Os ministros concordaram em fazer participar os bancos privados do custo de eventuais resgates futuros de países em apuros orçamentários no âmbito deste fundo de ajuda permanente.

Ao contrário do que a princípio queriam os alemães, os bancos e os fundos de investimentos que possuem bônus estatais não terão que contribuir para o resgate de forma automática.

Assim, a contribuição será feita caso a caso, quando um Estado enfrentar problemas de solvência. Nesta situação, o país em questão negociará a reestruturação com seus credores.

lv-slb/ylf/mvv