A Comissão Europeia rebaixou levemente nesta quinta-feira sua previsão de crescimento da zona euro em 2016 devido aos riscos representados pela desaceleração das economias emergentes, em particular a da China.

“Os riscos que pesam sobre a economia se acentuam e surgem novos desafios”, afirma a Comissão, que menciona uma desaceleração do crescimento na China e outras em economias emergentes, a fragilidade dos intercâmbios globais e a incerteza em relação à política e à geopolítica.

A Comissão prevê uma expansão média de 1,7% do PIB nos 19 países da zona euro, um décimo a menos que no ano passado.

“O fator central é a desaceleração das economias emergentes”, confirmou o comissário europeu para Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, falando à imprensa.

A política monetária da zona euro, visada pelas medidas do Banco Central Europeu (BCE), assim como um euro e um petróleo baratos, que impulsionam as exportações, poderão ser insuficientes para manter o crescimento, afirma a Comissão.

O objetivo do BCE é manter a inflação perto, mas inferior a 2%, só que uma tendência negativa poderá incentivar a adiar as decisões de compra, alimentando assim a ameaça de deflação.

Em suas previsões, a Comissão cortou a 0,5% sua projeção de inflação na zona euro em 2016, frente a um prognóstico de 1% em novembro passado.

A queda da cotação do petróleo arrasta a evolução geral dos preços, apesar das medidas de incentivo do BCE, que mantém as taxas em um mínimo para estimular a atividade econômica.

Apenas em 2017 la inflação deve alcançar 1,5%, quando “uma alta dos salários, o aumento da demanda interna e a progressão moderada dos preços do petróleo acentuar a pressão sobre os preços”, prediz a Comissão.

O presidente do BCE, Mario Draghi, prometeu usar todos os recursos disponíveis para estimular a economia da zona euro, mas advertiu que o risco é “atuar tarde demais”.

Segundo a Comissão, França, Espanha e Portugal não cumprirão seus objetivos de déficit para adaptar suas contas ao Pacto de Estabilidade e Crescimento, que fixa um déficit máximo de 3% e um limite de 60% do PIB à dívida pública.

O desajuste é resultado do resgate de suas economias durante a crise financeira de 2008, que aumentou o peso da dívida pública e afundou os déficits.

Segundo as previsões, da Comissão, o déficit da zona euro em 2016 será de 1,9% do PIB. Em 2017, alcançará -1,6%.

A dívida pública representará 92,7% do PIB das 19 economias da moeda única, com fortes disparidades entre os países.

Sem surpresa, os mais atingidos pela crise, como Espanha ou Grécia, veem sua dívida pública aumentar de ano em ano. Para o primeiro, representará 101,2% de seu PIB, enquanto que para o Atenas, que recebeu no ano passado um terceiro resgate financeiro, a dívida será de 185% de seu PIB, um nível insustentável para alguns de seus sócios.

A Espanha não cumprirá seu objetivo de déficit, que será de 3,6% este ano, depois de alcançar 4,8% em 2015, segundo dados da Comissão, que reitera a Madri seu pedido de corrigir sua lei fiscal de 2016 para acatar a norma.

O déficit da França será, em 2016, de 3,4%, depois de registrar 3,7% no ano passado. Apenas em 2017, ano eleitoral, cairá a 3,2%, próximo das estimativas de Bruxelas.

Quanto a Portugal, a Comissão espera as últimas propostas do novo governo de esquerda para emendar seu orçamento de 2016. A Comissão prevê que o país terá um déficit de 3,4% este ano, depois de um desequilíbrio de 4,2% em 2015.

O governo português aceitou na quarta corrigir o orçamento com um objetivo de objetivo de déficit de 2,4% para este ano.

A Comissão também alerta que uma suspensão da zona de livre circulação Schengen, que vários membros do bloco promovem para frear a chegada de migrantes, poderá afetar a recuperação econômica.

Mais de um milhão de migrantes chegaram à União Europeia (UE, composta por 28 países) em 2015.

O fluxo não cai, e isso cria um grande desafio político, que poderá facilmente reduzir o crescimento se não for tratado corretamente, diz o texto.

“Uma suspensão maior de Schengen [com a reintrodução de controles fronteiriços neste espaço] e medidas que ponham em perigo os êxitos do mercado interno poderão potencialmente perturbar o crescimento econômico”, conclui o estudo.