18/08/2010 - 6:06
A última brigada de combate dos Estados Unidos abandonou o Iraque em direção ao Kuwait, quase sete anos e meio após a invasão liderada por Washington, informou nesta quarta-feira a imprensa americana.
Imagens de TV mostraram um jornalista da rede MSNBC que viajava com a 4ª Brigada Stryker, da 2ª Divisão de Infantaria, cruzando a fronteira entre Iraque e Kuwait, como parte do movimento de tropas que será concluído nas próximas horas.
Segundo o jornal Los Angeles Times, a saída dos 360 veículos militares e dos 1.800 soldados da 4ª Brigada só será concluída no prazo de três dias, mas a maior parte da imprensa americana afirma que ela terminará em questão de horas.
A CNN informou que 56 mil soldados americanos permanecerão no Iraque após a saída da brigada.
Este número deve cair para 50 mil no dia 31 de agosto, quando os Estados Unidos declararem o fim de suas operações de combate no país, limitando a presença de seus militares a treinamento e assessoramento.
O general Stephen Lanza, porta-voz militar, disse à rede MSNBC que a partir do final de agosto a missão americana mudará seu nome de “Operação Liberdade Iraquiana” para “Operação Novo Amanhecer”.
Lanza destacou que o objetivo passará “de operações de combate para operações de estabilização”.
A saída de todo o efetivo dos EUA no Iraque está prevista para o final de 2011, concluindo uma ocupação que chegou a ter 168 mil soldados americanos no território iraquiano.
Washington liderou a invasão do Iraque em março de 2003, quando derrubou o presidente Saddam Hussein sob o pretexto de neutralizar seu programa de armas de destruição em massa, mas tal armamento jamais foi encontrado.
O porta-voz do departamento de Estado, Philip Crowley, descreveu o fim das operações de combate como um “momento histórico”, mas reafirmou o compromisso de longo prazo dos EUA com o Iraque.
“Não estamos acabando com nosso envolvimento no Iraque. Ainda temos um trabalho importante a fazer. Isto é uma transição, mas não o final de algo (…). Temos um compromisso de longo prazo com o Iraque”.
Crowley disse que após gastar um trilhão de dólares no Iraque e perder 4.400 homens, o conflito teve um “elevado preço” para os Estados Unidos.
“Investimos muito no Iraque e temos que fazer todo o possível para preservar este investimento com o objetivo de levar o Iraque e seus vizinhos a uma situação muito mais pacífica, que sirva aos seus e aos nossos interesses”.
A retirada ocorre um dia após o ataque suicida contra um centro de recrutamento em Bagdá, que deixou 59 mortos.
Durante este mês do Ramadã houve um recrudescimento da violência em todo o Iraque.
O ataque contra o centro de recrutamento, atribuído à Al-Qaeda, foi o mais mortífero desde o início do ano, e ocorreu um dia após os dois principais partidos políticos suspenderem suas negociações visando a formação de um novo governo.
Desde o início da campanha iraquiana, em 20 de março de 2003, as tropas da coalizão liderada pelos EUA sofreram 4.733 baixas fatais, sendo 4.415 americanos, 179 britânicos e 139 soldados de outras nacionalidades, segundo o site independente www.icasualties.org.
Já o site Irak Body Count informa que até 17 de julho passado o conflito iraquiano já havia cobrado a vida de 106.071 civis.
Os óbitos entre as forças de segurança iraquianas ultrapassam 12 mil.
O ano mais sangrento para as tropas americanas no Iraque foi 2007, com 901 mortes, seguido por 2004 (849), 2005 (846), 2006 (822), 2008 (322), 2009 (150) e 2010 (45).
tlb/LR