O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, denunciado nesta quarta-feira pelo Ministério Público Federal (MPF) como o “comandante máximo” da rede de corrupção que envolveu a Petrobras e outras empresas estatais, enfrenta um ano difícil.

Confira abaixo a cronologia dos principais acontecimentos, envolvendo o ex-presidente e líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT):

Lula é levado de seu apartamento em São Bernardo do Campo pela Polícia Federal para prestar depoimento, em uma dependência do Aeroporto de Congonhas, por determinação do juiz Sérgio Moro.

A operação ocorreu um dia após o então senador Delcídio do Amaral revelar que o ex-presidente havia agido para evitar a delação premiada de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras.

Lula, 70 anos, nega as acusações e pede a seus partidários que ocupem as ruas.

O Ministério Público de São Paulo denuncia Lula por ocultação de patrimônio no caso do tríplex no Guarujá, algo que o ex-presidente nega categoricamente. Os promotores consideram que Lula “violou a ordem pública”, ao convocar seus seguidores para sair às ruas contra uma “perseguição judicial”.

Uma juíza de São Paulo, que deveria se pronunciar sobre um pedido de prisão preventiva contra Lula por suposta lavagem de dinheiro, transfere o caso para o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato sobre a rede de corrupção na Petrobras.

A Justiça divulga depoimento de Delcídio do Amaral, no qual o senador acusa o então ministro da Educação, Aloízio Mercadante, de ter tentado comprar seu silêncio para proteger o governo da presidente Dilma Rousseff. O senador também formula acusações contra Lula, o ainda vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) e o líder da oposição Aécio Neves (PSDB-MG).

Lula é nomeado chefe da Casa Civil por Dilma, cargo que o livra da ameaça de ser detido pelo juiz Sérgio Moro, de primeira instância, já que os ministros de Estado estão sob a alçada do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pouco depois, o juiz Moro libera a gravação de uma conversa por telefone entre Lula e Dilma sobre o envio do documento da nomeação para ser utilizado em caso de necessidade.

Lula toma posse como ministro, mas o juiz do Supremo Gilmar Mendes suspende sua designação. O governo recorre e Dilma denuncia uma manobra de “golpistas”.

Lula diz a correspondentes estrangeiros em São Paulo que o juiz Moro “é uma figura inteligente, competente, mas, como ser humano, temo que a mosca do poder tenha tido seus efeitos nele”.

O STF assume provisoriamente as investigações sobre Lula, impondo a primeira derrota ao juiz Moro.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recomenda a anulação da nomeação de Lula como ministro, com base na tese de que se trata de uma manobra para escapar da Justiça.

O plenário do Supremo decide adiar sua decisão sobre a nomeação de Lula, sem fixar uma nova data para o caso.

Dilma, que denuncia um “golpe de Estado” institucional, é suspensa de suas funções pelo Senado, e o governo passa a ser liderado pelo vice-presidente, Michel Temer.

A Polícia Federal acusa Lula de se beneficiar de subornos de empresas ligadas à Petrobras e envia o expediente à Procuradoria.

O Senado aprova o impeachment de Dilma.

O Ministério Público Federal denuncia Lula “como comandante máximo do esquema de corrupção”, envolvendo a Petrobras.