02/08/2006 - 7:00
A China é vista como uma ameaça pela maioria dos empresários brasileiros. A mão-de-obra barata torna um verdadeiro pesadelo concorrer com os produtos feitos naquele país. Mas existem exceções. Uma delas é a Fábrica de Aparelhos e Material Elétrico Ltda., mais conhecida pela sigla Fame, e cuja receita anual atinge R$ 150 milhões. Além de não temer os chineses, a direção da companhia se prepara para inaugurar uma fábrica de chuveiros em Xangai. Mais do que ?combater o inimigo? em seu próprio território, a Fame está tirando partido de uma característica importante daquele mercado. ?Os novos-ricos chineses dão preferência aos artigos importados e são ávidos por novidades?, explica José Armando Coelho da Silva, responsável pela área de marketing e um dos herdeiros da Fame. Ao contrário do que acontece por aqui, onde a marca é forte no segmento popular (duchas de até R$ 50), a estratégia para o Oriente é baseada nos modelos eletrônicos, vendidos entre US$ 200 e US$ 300.
A Fame optou por um sistema fabril barato e capaz de se ajustar rapidamente à demanda. A produção será feita no esquema SKD (no qual as peças são integralmente montadas no local), com um índice de nacionalização de 20%. Por conta disso, foi necessário investir apenas US$ 200 mil para viabilizar a operação. O namoro com a China começou há seis anos, quando a Fame abriu um escritório naquele país. Na época, o setor estava sob fogo cerrado, apontado como um dos vilões do desperdício de energia. E é para evitar os altos e baixos do mercado interno que o diretor Silva diz que a expansão internacional não vai parar na China. ?Vamos repetir o modelo chinês na Índia?, conta ele. Com isso, espera dobrar a participação das exportações, que respondem por 10% do faturamento.
Apesar de ser mais conhecida pelos chuveiros, a Fame é uma companhia bastante diversificada. De suas cinco fábricas (todas no Estado de São Paulo) saem campainhas, sensores de presença, aquecedores para torneira, ventiladores e até parafusos. Eles garantem 65% das vendas. Mas isso não significa que a tradicional duchinha será aposentada. ?É o ?arroz-com-feijão? que nos garante em épocas de vacas magras,? diz o diretor Silva, que também pretende levar a duchinha para a Ásia: ?Depois da classe média chinesa, vamos investir no povão.? Entenda-se como ?povão? um contingente estimado em quase um bilhão de consumidores. ![]()