O Cristo Redentor, ponto turístico mais famoso do Brasil, atrai 700 mil turistas por ano, que querem apreciar do alto as belezas da Cidade Maravilhosa. Não é pouca coisa. Mas na cinzenta São Paulo, sem praia ou belas paisagens, uma centenária loja chama ainda mais visitantes. É a concorrida Doural, na popular rua 25 de Março, no centro da cidade. A loja recebe em média 2,2 mil compradores todos os dias, atraídos por uma variedade de itens de cama, mesa, banho e utensílios de cozinha. São mais de 40 mil produtos expostos na Doural. No Natal – e no sábado que antecede o Dia das Mães – o movimento diário passa de 5 mil pessoas. Ao final de um ano, são pelo menos 750 mil pessoas. Isso sem contar os 1,8 mil acessos por dia ao recém inaugurado site de vendas, criado para quem não pode – ou não quer – ir até a 25 de Março.

O que leva tanta gente a uma loja apertada, com prateleiras e bancas de produtos por todo lado é simples: preço e variedade. “Aqui, nós temos desde os artigos mais populares até itens importados, como cafeteiras da marca italiana Saeco e eletroportáteis da Cuisinart”, diz Fernando Assad Abdalla, diretor da loja. “E recebemos de 20 a 30 novos artigos por mês”, explica o executivo. Essa profusão de mercadorias é tanta que se equipara ao volume de muitos hipermercados. “Um Carrefour, por exemplo, tem 45 mil itens”, diz Ulysses Reis, coordenador do MBA de Varejo da Fundação Getúlio Vargas. Segundo o professor, combinar a fartura de produtos com a tática do preço baixo (em média 30% a menos, segundo Abdalla), não é para qualquer um. “Trata-se de uma operação muito difícil, devido ao baixo giro de algumas linhas”, explica Reis. Mas aí entra em cena o maior trunfo da Doural: a localização. A região da 25 de Março recebe 400 mil consumidores diariamente. “Enquanto uma loja de shopping vende uma máquina de café expresso por dia, nós vendemos dez”, conta Abdalla.

O atual perfil da Doural começou a ser desenhado por Fernando Abdalla e seu irmão André há três anos. A loja, fundada em 1905 por Assad Abdalla, passou 98 anos exatamente como começou: só vendia tapetes, cortinas e artigos para cama, mesa e banho. Foi idéia de Fernando a introdução da linha de presentes e utensílios para cozinha. Dessa maneira, a terceira geração dos Abdalla diversificou o negócio e conseguiu um aumento de 50% nas vendas. Com o site, as vendas cresceram mais 15%. “Por meio do portal na internet, alcançamos um consumidor de maior poder aquisitivo, mas que como todo mundo, quer pagar mais barato”, afirma Abdalla, que não revela o faturamento da loja. Segundo especialistas, o montante seria de R$ 60 milhões ao ano. A concorrente mais próxima, a Camicado, fatura, R$ 350 milhões. Mas têm 17 lojas. A Doural só tem uma.

R$ 60 milhões é o faturamento estimado da Doural