SEM FALSA MODÉSTIA, O próprio Paul Krugman deu a notícia na manhã da segundafeira 13 em seu blog. “Uma coisa estranha aconteceu comigo esta manhã”, escreveu, remetendo o leitor ao site Academia Real de Ciência Sueca, que anunciava o Nobel de Economia deste ano para o economista de 55 anos, professor da Universidade de Princeton e colunista do jornal The New York Times. O título do blog, “A consciência de um liberal”, é o mesmo do seu livro mais recente, em que critica a transformação dos Estados Unidos de uma terra de oportunidades iguais para um lugar que admite desigualdades e corrupção. Krugman é liberal no sentido americano da palavra. Significa ser “de esquerda”. Bem diferente do neoliberalismo da América Latina, ao qual o economista se opõe e que no governo Bush é representada pelo corte de impostos dos mais ricos. Krugman está muito distante do marxismo, mas acha que os governos têm que agir para garantir igualdade de oportunidades. “Ele defende mais ativismo do governo na proteção social”, diz Carlos Pio, professor de economia política internacional da Universidade de Brasília. O comitê que escolheu Krugman cita dois trabalhados acadêmicos, publicados em 1979 e 1980, analisando os padrões de comércio e o papel da concentração econômica na urbanização.

Deixa de lado estudos mais recentes, sobre finanças internacionais, e os artigos que publica no Times. Mas é inevitável pensar que o Nobel também premia, de maneira indireta, a crítica feroz que ele faz ao presidente Bush. Hoje é fácil criticar um presidente impopular como Bush. Mas não era assim no início do governo ou após os ataques de setembro de 2001.

“Eu acreditava que eles estavam sendo desonestos, e cheguei àquela conclusão antes de outras pessoas porque para mim era óbvio que eles estavam mentindo sobre os cálculos do orçamento”, explica Krugman. O economista já esteve várias vezes no Brasil. Na última delas, em julho, disse em entrevista à DINHEIRO que a eleição de Obama seria melhor para o País porque ele é mais internacionalista do que McCain. Sobre a economia global, já se mostrava preocupado com a crise que estourou dois meses depois. “É incrível o impacto da bolha imobiliária. O sistema bancário e financeiro que foi criado no mundo ocidental está desmoronando.

É muito sério”, disse. Ele estava certo. Na semana passada, porém, ele transmitiu otimismo, na sua primeira declaração após saber do Nobel. Krugman disse que, após o pacote europeu de resgate bancário, “o pior havia passado”. Tomara que, desta vez, ele também esteja certo.