Os times ainda nem entraram em campo, mas a disputa entre Nike e Adidas já começou. A bola da vez tem o nome de Jabulani ? palavra do dialeto bantu isiZulu, um dos 11 idiomas oficiais da África do Sul,  que significa celebrar. ?Patricinha? (que não gosta de ser chutada, segundo o volante Felipe Melo) e ?sobrenatural? foram apenas alguns dos adjetivos atribuídos pelos jogadores, especialmente os brasileiros, à bola que será usada nos jogos da Copa de 2010.
 

67.jpg
Rivalidade: até agora, foram os jogadores da Nike que reclamaram da bola da Adidas

 

 Júlio César, goleiro da Seleção Brasileira, disse que ela é ?horrorosa? e mais ?parece aquelas que se compram em mercado?. O meia Júlio Batista afirmou que ela ?faz curvas demais?. E por aí vai. Mais leve, mais rápida e mais lisa do que qualquer modelo já fabricado para uma Copa do Mundo, a Jabulani parece ter silenciado até as estridentes vuvuzelas (cornetas sul-africanas) nas reclamações que precedem o evento. Mesmo antes do início dos jogos, a bola se tornou o objeto que faltava para reacender a rivalidade entre Nike e Adidas.

Para as grandes fabricantes mundiais de material esportivo, a Copa do Mundo é de longe o evento de maior visibilidade. Não há outra oportunidade que ofereça tamanha exposição. Por isso mesmo, a controvérsia em torno da Jabulani envolve uma questão que transcende o aspecto meramente esportivo. ?Quem está criticando são os contratados da Nike?, diz José Roberto Martins, analista da Global Brands.

Pura coincidência ou teriam sido eles instruídos a destruir com palavras a bola da Copa? Impossível saber, mas a hipótese não pode ser afastada. Segundo Martins, a polêmica dificilmente vai afetar o desempenho da marca. Ele lembra do episódio da chuteira Nike que Ronaldo usou na última Copa e que teria causado bolhas em seus pés, segundo afirmações do próprio jogador.

À época, a Nike não sofreu nenhum efeito negativo. Agora, o que está em jogo são cifras astronômicas. Na última Copa, em 2006, a Adidas faturou US$ 1,2 bilhão só com futebol. Boa parte do dinheiro veio da venda de 15 milhões de bolas oficiais.

 

> Siga a DINHEIRO no Twitter