15/04/2011 - 6:00
O Brasil consome cerca de 55 mil megawatts de energia elétrica por ano. Cerca de 75% desse consumo é cativo. Empresas geradoras, como as usinas hidrelétricas, vendem para as companhias de distribuição de energia. Os outros 25% são negociados livremente entre as partes, em geral usuários intensivos como empresas siderúrgicas e de alumínio, e geradores independentes. É nesse meio de campo que o empresário Eike Batista quer entrar. Na terça-feira 12, ele anunciou, no Rio de Janeiro, o lançamento da Brix, uma bolsa eletrônica para unir compradores e vendedores de energia elétrica. ?Hoje, esse mercado é pouco transparente, com os negócios sendo realizados por telefone?, diz Marcelo Mello, principal executivo da Brix.
?Vamos trazer transparência e liquidez a esses negócios.? Nessa empreitada, Batista investiu R$ 25 milhões ao lado de outros nomes conhecidos do mundo do negócios, como Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas, o consultor Roberto Teixeira da Costa, primeiro presidente da Comissão de Valores Mobiliário e Marcelo Parodi, principal executivo da trading de energia Compass. A tecnologia será fornecida pela InterContinental Exchange (ICE), bolsa eletrônica especializada em commodities.

Mercado livre: 25% da energia consumida no País é negociada livremente e Eike Batista
quer intermediar essas transações, em parceria com alguns pesos-pesados da economia
Ao anunciar a criação da Brix, Batista disse que participa como pessoa física, sem envolvimento acionário de sua holding, a EBX. O grupo, porém deve ser um dos principais clientes da Brix. Uma das empresas de Eike, a MPX, controla duas usinas termoelétricas no Nordeste, com capacidade instalada de 1.400 megawatts.
Além desses projetos, a companhia tem planos de investir para elevar sua capacidade instalada em 11.000 megawatts, que ainda não têm comprador. ?A MPX será um grande gerador e vai participar do mercado?, diz Mello. Segundo o executivo, em um primeiro momento, a Brix vai apenas informar preços de compra e venda para a eletricidade, para empresas geradoras e consumidoras que se cadastrarem.

As transações fechadas serão liquidadas diretamente entre as partes. Posteriormente, haverá contratos financeiros entre elas e, finalmente, mais adiante, a intenção é lançar titulos que possam ser adquiridos pelos investidores. ?A Brix será um grande mercado de energia, sem comprar nem vender, mas permitindo o trânsito de informações?, diz Mello.
Mais ou menos como a Enron? ?De certo modo sim, os negócios são parecidos?, confirma, citando em seu favor a história da parceira ICE, a bolsa eletrônica americana. ?Ela surgiu depois da quebra da Enron, com uma plataforma de negociação, que foi um sucesso enorme?, afirma. A intenção da Brix é repetir esse desempenho ? sem o mesmo final da Enron, claro.