O mercado de cervejas também viveu, na última semana, uma guerra particular entre dois dos mais conhecidos publicitários brasileiros: Eduardo Fischer, da Nova Schin, e Nizan Guanaes, da Brahma. Tudo começou quando entrou no ar, na sexta-feira 12, um filme da Brahma com o cantor Zeca Pagodinho, que ainda tinha um contrato de R$ 1 milhão com a Schincariol válido até setembro de 2004 ? ele havia participado do filme em que se lançou o slogan ?experimenta? da Nova Schin. No comercial da Brahma, Zeca canta um samba, com letra de Nizan, em que diz ter provado outro sabor, mas que isso havia sido um amor de verão. Seu verdadeiro amor seria a Brahma. Especula-se que seu novo contrato seria de US$ 3 milhões, válido até 2006. ?O concorrente infringiu todas as regras éticas e ainda se vangloriou do seu crime?, disse Fischer. ?Será que o Brasil aceita a Lei de Gérson, será que somos todos palhaços??, indagou. Sua agência logo fez um filme, insinuando que Zeca Pagodinho havia traído a Schincariol por
dinheiro. Nizan retrucou. ?O Zeca está conosco porque prefere a Brahma?, disse. De acordo com a Schincariol, a motivação real da Brahma ao lançar um filme com Pagodinho foi desviar a atenção do público para o real problema da Ambev: a queda de 30% no valor
das ações preferenciais e as investigações sobre as vendas antecipadas dos papéis. ?Criaram uma cortina de fumaça?, disse Eduardo Fischer. A assessoria da África, agência de Nizan, tratou
as insinuações do concorrente como um ?delírio?. Na quinta-feira
18, um novo filme mostrava depoimentos de cidadãos comuns defendendo Zeca Pagodinho. Na guerra entre as duas marcas, o instituto Nielsen revelou que, em fevereiro, último dado oficial,
a fatia de mercado da Nova Schin subiu de 12,6% para 13%
e a da Brahma caiu de 18,2% para 17,8%.