15/04/2016 - 20:00
O bilionário russo Yuri Milner construiu sua fortuna, atualmente estimada em US$ 2,9 bilhões, investindo em empresas de internet. Ele foi um dos primeiros a apostar no Facebook, quando a rede social ainda era um projeto. Posteriormente, colocou dinheiro no Spotify, de músicas, no Airbnb, de aluguel de imóveis, e no varejista online chinês Alibaba. Agora, Milner tem planos para explorar outros mundos, literalmente. Juntamente com Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, ele anunciou um projeto para explorar Alpha Centauri, o sistema estelar mais próximo da Terra, a 4,37 anos-luz do planeta.
Trata-se de uma ideia ousada, que ultrapassa uma barreira, até então, considerada impossível para a humanidade: viagens interestelares. “Chegamos à conclusão de que pode ser feito”, afirmou Milner, durante o lançamento do programa, batizado de Break Through Starshot. A estratégia dos empreendedores, que contam com o apoio de renomados cientistas, entre eles Stephen Hawking, o maior nome da física quântica, é típica das startups do Vale do Silício.
Eles pretendem lançar em órbita uma espécie de “nave mãe” transportando milhares de pequenas sondas, do tamanho de iPhones, que, impulsionadas por raios laser, irão se locomover em direção à Alpha Centauri a uma velocidade equivalente a um quinto da velocidade da luz. Muitas delas devem se perder pelo caminho, assim como a maioria das start-ups acaba quebrando. Algumas, no entanto, devem atingir seu objetivo, chegando ao sistema estelar daqui a 40 anos, mais ou menos. O custo da odisseia: US$ 10 bilhões. Milner está colocando US$ 100 milhões no projeto, inicialmente. Para o restante, ele espera contar com a ajuda de investidores.
“O que torna os seres humanos singulares? A capacidade de transcender nossos limites”, afirmou Hawking. O projeto será dirigido por Peter Worden, ex-diretor de pesquisas da Nasa, a agência espacial americana. “Existem cerca de 20 questões principais para as quais estamos pedindo ajuda da comunidade científica e estamos dispostos a financiar os trabalhos”, disse Worden, ao jornal The New York Times. O principal objetivo é quebrar a barreira da viagem interestelar, um marco para a exploração espacial tão grande quanto a primeira viagem do homem para fora da Terra, protagonizada pelo russo Yuri Gagarin, há 55 anos. Milner, por sinal, foi batizado em sua homenagem.
