O nome é praticamente desconhecido do grande público. Curiosamente, é justamente este semi-anonimato o objetivo da Cardif, seguradora do conglomerado francês BNP Paribas. É ela quem está por trás de redes como Magazine Luiza e Carrefour ou do Banco Volkswagen, oferecendo à clientela deles seguros de proteção financeira ? aqueles que garantem a quitação de um financiamento em caso de desemprego, morte ou invalidez do tomador. ?Queremos ser o parceiro invisível dos grandes estabelecimentos?, observa Ricardo Braga, presidente da Cardif. ?Nosso papel é trabalhar como coadjuvantes.? Parcerias com bancos, cadeias varejistas, emissores de cartões de crédito e financeiras são a base do modelo de negócios da Cardif, adotado com sucesso nos 32 países onde está presente. Vem dando certo também no Brasil. De carona na explosão do crédito, a Cardif registrou, no primeiro semestre deste ano, um aumento de 56% no volume de prêmios (mensalidades) arrecadados, chegando a R$ 55 milhões. A expectativa é fechar 2006 com uma receita de R$ 120 milhões.

O seguro de proteção financeira representa, hoje, 80% dos negócios da Cardif. A idéia, porém, é diversificar. A companhia acaba de receber autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para ampliar a oferta de produtos. Em breve, colocará nas prateleiras das lojas parceiras apólices de proteção individual e familiar, incluindo seguros de vida, acidente pessoal e até educacional, que cobre o pagamento de mensalidades escolares em caso de morte do responsável pelo estudante. A Cardif entrará também no ramo de seguros de garantia estendida (apólices que ampliam a garantia dada pelos fabricantes de eletrodomésticos, produtos eletrônicos e móveis). E lançará seguros complementares aos planos de saúde, com cobertura para despesas com medicamentos ou remoção, por exemplo. A companhia aguarda, ainda, outra autorização da Susep para estrear no nicho de seguros contra perda e roubo de cartões. ?O produto está pronto e já funciona nos demais países onde operamos. Estamos adiantando as negociações com parceiros locais?, informa Braga.

A Cardif conta hoje com 25 produtos. A diversificação em curso parece saudável, na medida em que dilui os riscos da companhia. Mas não significa uma mudança radical no foco da empresa. ?Vamos explorar as oportunidades de receita adicional, mas sempre obedecendo à nossa vocação, que é a parceria com o varejo?, explica Braga. A seguradora trabalha com 16 parceiros. No caso do Magazine Luiza, o contrato de distribuição de seguros fechado no início de 2002 evoluiu, este ano, para uma joint venture, a Luizaseg.

O segmento de proteção financeira é um dos mais promissores do mercado segurador, devido à disparada nos financiamentos que acompanha a gradual queda dos juros. No primeiro semestre de 2006, o ramo de proteção financeira movimentou R$ 632 milhões em prêmios no País ? um salto de 145% em relação ao mesmo período de 2005. Um levantamento realizado pela Cardif no final do ano já destacava essa tendência e indicava oportunidades. A pesquisa chamou a atenção, por exemplo, para a falta de conhecimento do produto. Só 37% dos mil entrevistados já tinham ouvido falar nesse tipo de seguro, contra 47% da média internacional. Porém, quando informados sobre a funcionalidade do produto, 44% disseram considerá-lo essencial, quase o dobro da média global (de 26%). O consultor independente Luiz Roberto Castiglione alerta, no entanto, para um efeito colateral do boom na concessão de crédito: a inadimplência. ?A margem de contribuição dessa modalidade de seguro caiu de 31% para 15% dos prêmios ganhos entre o primeiro semestre de 2005 e os primeiros seis meses deste ano?, diz Rodrigues. Está dado o aviso.