O mercado automotivo brasileiro é um dos mais competitivos do planeta. São cerca de 30 marcas (entre nacionais e importados) disputando a atenção e o bolso dos consumidores. A partir de novembro essa briga promete se acirrar ainda mais. É nessa data que começam a ser vendidos os carros da chinesa Changan. A montadora desembarca no Brasil pelas mãos da Districar ? ligada ao Grupo Tricos, de Portugal, uma potência que fatura US$ 300 milhões e atua nos segmentos de construção civil, hotelaria e telecomunicações. Sua aposta inicial é na linha Chana, composta por uma mini-van (Family), uma picape (Cargo) e um furgão (Utility). O principal atrativo será o preço: entre R$ 25 mil e R$ 31 mil, dependendo dos acessórios. A estréia será no Salão do Automóvel de São Paulo, que começa na quinta-feira 19. Segundo Mário Santos, representante do Grupo Tricos, a ambição é ocupar o espaço deixado pela Towner, a minivan da coreana Asia Motors que fez muito sucesso por aqui na década de 90. ?Existe demanda não atendida nessa faixa de mercado?, opina o executivo.

Ele não teme que o nome Chana, usado como referência a uma parte da anatomia feminina em algumas regiões do Brasil, possa atrapalhar as vendas: ?Trata-se de uma coincidência?, resigna-se. Opinião semelhante tem o consultor Olivier Girard, sócio-diretor da Trevisan. ?Essa peculiaridade deve despertar a curiosidade de alguns consumidores?, argumenta. Independentemente do nome, Girard lembra que o Chana pode ser o início de uma ?dor de cabeça? para os fabricantes instalados no Brasil. Com produção anual em torno de seis milhões de veículos, a China está prestes a assumir a terceira posição do ranking mundial do setor, liderado por Estados Unidos e Japão.

Para a Districar, o acordo com a Changan é a chance de diversificar os negócios, hoje concentrados na grife coreana SsangYong. São veículos parrudos, como o Rexton, que custam na faixa de R$ 150 mil. Por conta disso, será montada uma estrutura de comercialização para o Chana, independente da SsangYong, que conta com 12 revendas. ?Já recebemos diversas consultas de interessados em investir na nova marca?, adianta Santos.