Durante as Olimpíadas, fabricantes de material esportivo disputarão a medalha de ouro na categoria de divulgação de marca. Mas os executivos da britânica Umbro, terceira maior empresa do setor, estão mais preocupados com a prata e o bronze. O bronze resume sua estratégia de negócios. A Umbro tem como meta manter o posto de terceira maior corporação do mercado, atrás da Nike e da Adidas. A ?resignação? é compreensível. Enquanto as duas concorrentes oferecem itens para todos os esportes, a Umbro só atua no futebol. A prata, por sua vez, é o mais novo material utilizado pela companhia na confecção de suas camisas para times de futebol. Jogadores da seleção inglesa, patrocinada pela marca, já vestem o novo tecido. Seus colegas suecos, noruegueses e irlandeses também, assim como os craques do Chelsea, o clube do magnata russo do petróleo Roman Abramovich. No Brasil, a novidade desembarca em 2005 e estará presente nos sete times da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro bancados pela marca, entre eles Santos, Atlético Paranaense e Vasco. ?É uma revolução?, afirma Élvio Lupo, presidente da Umbro no Brasil. As camisas de prata chegarão às lojas brasileiras por R$ 200, contra os R$ 180 dos modelos atuais.

A tecnologia nasceu nos laboratórios da Nasa. O tecido, inteiramente confeccionado com microfilamentos de prata, foi desenvolvido pela empresa inglesa X-static. Graças à prata, um poderoso condutor térmico, o uniforme mantém a temperatura original do corpo do atleta, garantindo mais conforto. Além disso, o metal, segundo Lupo, tem propriedades bactericidas, eliminando microorganismos que provocam o odor da transpiração ? o que coloca todos os jogadores no nível de David Beckham, ironicamente batizado de ?cheirosinho? pelos craques brasileiros depois da partida contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 2002.

Revoluções tecnológicas são fundamentais para a Umbro no embate com as gigantescas rivais. ?Queremos ser reconhecidos como a marca do futebol e as inovações são necessárias para isso?, diz Lupo. Especialistas, porém, dizem que a Umbro fica em desvantagem. Como as concorrentes atuam em vários esportes, os investimentos em marketing (15% do faturamento) são diluídos. No caso da Umbro, isso não acontece. O caso da seleção brasileira é emblemático das dificuldades da empresa na concorrência contra colossos como Nike. Nos quatro primeiros títulos mundiais (1958, 1962, 1970 e 1994), os jogadores vestiam uniformes Umbro. Mas em 2002, na conquista do pentacampeonato, o logo da Nike estampava a camisa dos craques brasileiros.

A ascensão de companhias arrojadas como a Nike, na década de 90, lançou a Umbro em profunda crise financeira, a pior desde sua fundação, em 1920. Há cinco anos, seu controle foi adquirido pelo fundo de investimento Dought Hanseon. Saneada, abriu o capital há dois meses. Com o dinheiro arrecado investirá mais em marketing e tecnologia ? as duas armas mais eficientes, segundo Lupo, para encarar a competição do mercado de produtos esportivos e, pelo menos, garantir a medalha de bronze.