12/03/2014 - 21:02
A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) decidiu, em uma reunião extraordinária de chanceleres em Santiago, criar uma comissão para acompanhar o diálogo entre governo e oposição na Venezuela, a partir da primeira semana de abril. Em uma declaração ao final da reunião de mais de quatro horas, os chanceleres concordaram em “designar, a pedido do governo da Venezuela, uma comissão integrada por ministros das Relações Exteriores da Unasul para que, em seu nome, acompanhe, apoie e assessore um diálogo político, amplo e construtivo”. A comissão atuará “considerando a conferência de paz instalada” na Venezuela a pedido do governo do presidente Nicolás Maduro, e terá seu primeiro encontro na primeira semana de abril. Promovida pela Venezuela, em oposição ao debate convocado pelo Panamá na Organização dos Estados Americanos (OEA), a reunião de chanceleres da Unasul foi realizada em Santiago aproveitando a cerimônia de posse da presidente Michelle Bachelet, na véspera. No encontro, os 12 países que integram a Unasul analisaram a onda de protestos contra o governo de Maduro, que já deixou 24 mortos em um mês, incluindo três nesta quarta-feira. A reunião, em um hotel de Santiago, contou com a presença do chanceler venezuelano, Elías Jaua, mas não teve qualquer representante da oposição venezuelana. “Nos sentimos plenamente satisfeitos com a resolução. Nos sentimos acompanhados na luta do povo venezuelano pela democracia, pela paz”, disse Jaua à imprensa no final da reunião. Os protestos começaram há um mês em San Cristóbal, pedindo por mais segurança nos campus universitários, depois que uma estudante sofreu uma tentativa de estupro. Contando com o apoio de dirigentes da oposição, os atos se espalharam pelo país, incluindo críticas à inflação, à escassez de produtos básicos e à detenção de manifestantes. Os confrontos e a repressão policial já deixaram 24 mortos, 300 feridos e diversos detidos, incluindo o líder opositor Leopoldo Lopez, acusado de fomentar a violência no país. O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) informou nesta quarta que quase 100 jornalistas, incluindo 28 correspondentes estrangeiros, sofreram com detenções arbitrárias, roubos e agressões físicas durante este mês de protestos na Venezuela. A lista de correspondentes estrangeiros que sofreram algum tipo de violência inclui repórteres de redes de televisão CNN, Telemundo, TV Globo, do jornal The New York Times e das agências Reuters, Associated Press e Agence France-Presse. “A maioria das agressões contra os trabalhadores da mídia durante este mês foram realizadas por funcionários do Estado, num total de 61 casos”, acrescenta o SNTP. O registro também destaca “15 relatos de ataques realizados por civis armados (…) identificados como partidários do governo”. rto/pa/tt/lr