Imagine uma linha de produção. Agora imagine que esta linha produza ursinhos de pelúcia, não em uma fábrica, mas em uma loja de shopping, com luzes e bancadas coloridas que crianças possam operar. É isso que é a Happy Town, a mais nova investida do empresário Felício Borzani Neto, de São Paulo. A idéia não é totalmente nova ? ele a importou dos Estados Unidos ?, mas está chamando a atenção não só dos pequenos consumidores, mas também de adultos e empresas que querem presentear seus clientes com bichinhos de pelúcia personalizados.

Na Happy Town, a criança ? ou adulto ou empresa ? escolhe e monta seu mascote com a cor, a roupinha e os acessórios que quiser. Funciona mesmo como uma pequena linha de produção. O primeiro passo é escolher o bichinho: coala, gato, urso, macaco, etc. Há 22 tipos diferentes. Depois, vem o enchimento ? de fibra antialérgica ? e as roupas. Há inúmeros modelitos: banhista, dentista, enfermeiro, casaco de pele, ou seja, quase tudo o que vier à cabeça. Além disso, Borzani criou opcionais como nome bordado na roupa do bicho e perfume. Também dá para pôr voz no brinquedo: o comprador grava na hora a mensagem. Para ouvir, é só apertar a mão do ursinho.

Todas essas possibilidades de personalizar o bichinho chamaram a atenção não só das crianças. ?Montei o negócio focado no público infantil. Mas tive a surpresa de receber pedidos de empresas?, diz Borzani. Metade das vendas hoje ? cerca de 300 ursos por mês, com preços que variam de R$ 85 a R$ 200, conforme o grau de customização ? é de clientes corporativos. Uma construtora, por exemplo, encomendou ursinhos com uniforme de golfista para presentear os compradores de um empreendimento residencial com campo de golfe. “Uma empresa organizadora de casamentos fez encomenda de ursinhas com véu, grinalda e vestido branco para presentear as noivas que contratam seus serviços”, conta o empresário, que lançou a Happy Town no final do ano passado. No início era só um site na internet. A primeira loja foi inaugurada há pouco mais de um mês, no shopping Market Place, em São Paulo. ?Minha meta é abrir 100 franquias da Happy Town em cinco anos.?
De franquia, Borzani entende. Formado em engenharia mecânica e ex-executivo da área financeira do Pão de Açúcar, ele já teve 16 franquias ao mesmo tempo. Eram duas pastelarias, quatro lojas de roupas femininas, três de reparo de sapatos, lanchonetes de pão de queijo e mais lojas de perfume e artigos de moda masculina. Conseguiu levar essa vida por 13 anos. Até que ? esgotado ? encerrou todos os negócios e abriu um novo. Dessa vez, uma loja só, chamada Best Baby, de artigos para bebês e crianças.

Para trazer novos produtos para a loja infantil, Suzana, a esposa de Borzani, viajou aos Estados Unidos no meio do ano passado. Foi assim que ela conheceu a Build-a-Bear, a empresa americana em que a Happy Town foi inspirada. Criada em 1997, a Build-a-Bear é hoje uma cadeia com 170 unidades não só nos Estados Unidos, mas também no Canadá, Japão, Coréia, Dinamarca, Suécia, Holanda, Austrália, França e Reino Unido. Se a versão brasileira vai crescer tanto assim, não se sabe. Potencial há, segundo Sandro Fernandes, gerente geral do Market Place, o shopping onde fica a primeira loja. ?A chegada da Happy Town nos destaca no mercado, pois recebemos com exclusividade uma loja que traz um conceito inédito de consumo no País?, diz