A USA Rare Earth adquirirá a mineradora brasileira de terras raras Serra Verde por US$ 2,8 bilhões em dinheiro e ações, informou a empresa nesta segunda-feira, em mais um passo de sua estratégia para criar uma operação que inclua mineração, processamento e fabricação de ímãs.

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A empresa norte-americana pagará US$ 300 milhões em dinheiro e 126,9 milhões em novas ações recém-emitidas pela transação, que deverá ser concluída no terceiro trimestre de 2026, segundo um comunicado.

A Serra Verde também anunciou nesta segunda-feira que firmou um acordo de 15 anos para fornecer 100% da produção durante a fase inicial de sua mina a uma empresa de propósito específico capitalizada pelo governo dos EUA e por fontes privadas.

Em janeiro, a USA Rare Earth concordou com um pacote de financiamento de US$ 1,6 bilhão, composto por dívida e equity, junto ao governo dos EUA, enquanto a Serra Verde, uma empresa privada, fechou um acordo de financiamento no valor de US$ 565 milhões com Washington em fevereiro.

“A mina Pela Ema, da Serra Verde, é um ativo único e a única produtora fora da Ásia capaz de fornecer os quatro elementos de terras raras magnéticos em grande escala”, disse Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth.

Pela Ema é um projeto localizado no município de Minaçu, no Estado de Goiás.

Vale destacar que atualmente a China é responsável por cerca de 90% da produção global de terras raras processadas, enquanto EUA, Europa e outras nações ocidentais estão correndo para construir seus próprios setores domésticos de terras raras, vitais para a transição energética, eletrônica e aplicações de defesa.

Mina rica em terras raras pesadas

A previsão de escassez de terras raras pesadas, como disprósio e térbio, pode ser um obstáculo para os esforços do Ocidente em criar cadeias de suprimento domésticas de terras raras e ímãs permanentes.

A mina da Serra Verde é rica em terras raras pesadas, ao contrário de muitos outros depósitos ocidentais, o que a torna particularmente atraente.

A empresa iniciou a produção comercial no início de 2024 e ainda não atingiu a produção total, que deve ser de cerca de 6.500 toneladas de óxidos de terras raras por ano até 2027.

A Serra Verde pertence aos grupos de private equity Denham Capital, Energy and Minerals Group e Vision Blue, liderados pelo ex-presidente da Xstrata, Mick Davis.

As ações da USA Rare Earth caíram 8% no pré-mercado, mas, no fechamento do último pregão, acumulam alta de 68% no ano.

Conheça a mineradora brasileira de terras raras

O negócio é resultado de uma aproximação acelerada entre Washington e produtores de minerais críticos fora da órbita chinesa.

Em fevereiro, a Serra Verde já havia fechado um acordo de financiamento de US$ 565 milhões com a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC), que inclui uma opção que confere ao governo americano o direito de adquirir uma participação acionária minoritária na companhia.

O acordo faz parte de um pacote mais amplo anunciado pelo vice-presidente JD Vance para criar um bloco comercial preferencial de minerais críticos e estabelecer preços mínimos – parte do esforço de Washington para reduzir a dependência da China sobre materiais essenciais à manufatura avançada.
A atratividade estratégica da Serra Verde está diretamente ligada à composição de seu portfólio.

Ao contrário da maioria dos depósitos ocidentais, a mina Pela Ema, localizada em Minaçu, no Estado de Goiás, apresenta elevada concentração de terras raras pesadas – em especial disprósio e térbio, dois minerais críticos para componentes de alta tecnologia usados nos setores automotivo, de defesa, energias renováveis e aeroespacial. Essa característica faz da Serra Verde a única produtora em larga escala desses elementos fora da Ásia, posição que justifica o interesse crescente do governo americano na companhia.

“O anúncio representa um forte reconhecimento da importância estratégica preeminente da Serra Verde no cenário global. O compromisso de grande porte da DFC, de quase US$ 600 milhões, assegura um futuro promissor para para diversas empresas downstream que dependem de nossas terras raras”, afirmou Thras Moraitis, CEO da Serra Verde.

A aquisição pela USA Rare Earth, se concluída no prazo previsto, consolidará uma cadeia de suprimento integrada – da extração ao processamento e à fabricação de ímãs – inteiramente fora do controle chinês, em um momento em que a disputa geopolítica por minerais críticos se intensifica globalmente.