Com o anúncio do pedido de recuperação extrajudicial feito na noite de terça-feira, 10, as ações da Raízen chegaram a ser cotadas abaixo de 50 centavos na bolsa brasileira nesta quarta-feira, 11. A empresa aponta dívidas de aproximadamente R$ 65,1 bilhões.

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Segundo o fato relevante da companhia, seu plano conta com a adesão expressa de credores signatários titulares de mais de 47% das dívidas financeiras, percentual que demonstra “apoio relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras do grupo”.

A Raízen surgiu  de uma joint venture entre Shell e Cosan (cada uma com 44% de participação) e foi celebrada, em 2021, por ter feito o maior IPO (Oferta Pública de Ações – abertura de capital) daquele ano, de R$ 6,9 bilhões. Na ocasião, em 4 de agosto, as ações foram precificadas a R$ 7,40.

Ocorre que, desde então, os papeis da empresa nunca atingiram esse valor. De acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta, a pedido de IstoÉ Dinheiro, o maior valor da ação foi de R$ 6,52 há quase quatro anos, em 28 de março de 2022. Às 13h56, as ações eram negociadas a R$ 0,52, ou, queda de 92% desde o IPO.

Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta, esclarece que o valor é ajustado por Dividendos e Juros Sobre Capital Próprio (JCP).

Com isso, a Raízen perdeu quase R$ 71 bilhões em valor de mercado, saindo de R$ 76,298 bilhões em 1º de outubro de 2021 para R$ 5,378 bilhões em 10 de março de 2026.

Raízen

 

Na época do IPO, a Raízen havia dito que usaria os recursos da oferta para construir novas unidades para expansão de produção, investimentos em infraestrutura de armazenamento, logística e para aumentar a eficiência e a produtividade.

Contudo a empresa, um conglomerado industrial criado por Rubens Ometto, registrou uma série de prejuízos e um aumento acentuado da dívida líquida nos últimos trimestres, como resultado de investimentos caros e condições climáticas adversas que afetaram negativamente as safras, levando-a a alertar, em fevereiro, sobre uma “incerteza significativa” quanto à sua capacidade de continuar operando. A dívida líquida da Raízen disparou devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios florestais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de moagem mais baixos.

Segundo a petição de recuperação extrajudicial apresentada pelo escritório Pinheiro Neto Advogados, atualmente, o Grupo Raízen é o maior processador de cana-de-açúcar do mundo. Na Distribuição de Combustíveis, é o segundo maior distribuidor no Brasil e na Argentina, atendendo postos, transportadoras, aeroportos, termoelétricas, hospitais, dentre outros clientes estratégicos para o mercado brasileiro. O Grupo Raízen também é um dos maiores comercializadores globais de etanol e açúcar. Dessa forma, o Grupo Raízen possui intrínseca conexão com setores-chave da economia não apenas brasileira, como, também, mundial.

O documento também aponta que a manutenção da taxa básica de juros em patamares superiores a
12% ao ano, há pelo menos 20 meses, alcançando 15% ao ano  nos últimos 8 meses, “elevou de forma significativa o custo financeiro da dívida, comprometendo a geração de caixa e impedindo, ao menos temporariamente, a redução orgânica do nível de endividamento”.