31/01/2026 - 11:00
As PMEs (Pequenas e Médias Empresas) são 97% dos negócios no Brasil e responsáveis por 70% dos empregados formais do país. Mas muitas delas, não sabem apontar quanto valem, ou seja, qual o valor de seu empreendimento.
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“O Brasil chega a 2026 com mais de 24 milhões de empresas ativas e um ambiente de negócios que passou a exigir decisões cada vez mais técnicas. Em um cenário de juros elevados, crédito mais seletivo e investidores mais criteriosos, cresce entre pequenos e médios empresários a necessidade de compreender o valor real de seus negócios”, aponta Theo Braga, CEO da SME The New Economy.
Braga destaca que o empreendedor começa a perceber que faturamento isolado não sustenta valor de negócio. “Margem, previsibilidade e governança são os fatores que efetivamente constroem valor no longo prazo”, diz Braga.
Helô Cruz, especialista em valuation, aponta que tem várias formas de avaliar uma empresa, e que essa ‘valoração’ depende não só do dono do negócio, mas do mercado, assim como um imóvel. Mas, um bom caminho, seria levantar alguns pontos, por exemplo:
- resultado
- lucro líquido
- rentabilidade
Braga, da The New Economy, orienta que o processo de valuation para PMEs começa pela organização de dados fundamentais do negócio, como faturamento, margem, estrutura de custos, previsibilidade de receita, nível de dependência do fundador, concentração de clientes e grau de governança. “Essas passaram a ser variáveis centrais na construção de valor”.
Ele diz ainda que é possível utilizar calculadoras gratuitas de valuation, com inteligência artificial incorporada, que oferecem acesso das PMEs a metodologias antes restritas a consultorias especializadas. “A discussão sobre valor deixa de ser pontual e passa a integrar a rotina de gestão, planejamento e tomada de decisão, sobretudo entre companhias que buscam crescer com maior previsibilidade. Muitos ainda não sabem, de fato, quanto suas empresas valem”.
“A partir do momento em que uma pequena ou média empresa decide calcular seu valuation, ela precisa primeiro mudar a lógica com que enxerga o próprio negócio. Não se trata apenas de somar faturamento e aplicar uma fórmula, mas de entender se a empresa consegue crescer de forma estruturada, manter resultados consistentes e reduzir sua dependência do fundador”, reforça Joao Kepler, CEO da Equity Group.
Esse processo de valuation, diz Braga, costuma revelar fragilidades, como dependência excessiva do fundador, concentração de receita e ausência de processos estruturados. “O lado bom é que funcionam como ponto de partida para ajustes que antes eram adiados. Empresas em crescimento conseguem construir uma visão mais clara sobre quanto valem hoje e o que precisam ajustar para valer mais amanhã. O principal ganho desse movimento não está no número final apresentado, mas no impacto direto sobre a gestão”, afirma.
As PMEs muitas vezes precisam começar organizando o básico, diz Paulo Tomazela, CEO da Bossa Invest. Ele chama a atenção para a escolha da metodologia, já que aplicar modelos sofisticados “sem qualidade de dados” ou tentar replicar parâmetros de grandes empresas em negócios em fase de estruturação é um erro comum.
“Empresas maduras costumam ser avaliadas por múltiplos de mercado ou fluxo de caixa descontado. Já no universo das PMEs e, principalmente, das startups, o valor está muito mais no potencial de escala do que no resultado atual. Por isso, é fundamental combinar métricas financeiras com indicadores de crescimento, tamanho de mercado, diferenciação competitiva, nível de tecnologia e capacidade de execução do time”, orienta.
“Quando a PME entende quanto vale e, principalmente, porque vale esse número, o valuation deixa de ser apenas uma conversa com investidores e passa a funcionar como uma ferramenta de gestão contínua. Ele orienta decisões sobre captação de recursos, entrada de novos sócios, expansão, precificação e até sucessão empresarial. No caso das startups, esse cuidado é ainda maior”, finaliza.
Recorde de novas empresas com liderança de Serviços
O Brasil encerrou 2025 com mais de 24 milhões de pequenos negócios ativos, após recorde na abertura de novas empresas no ano. Foram 5,1 milhões de novos negócios no ano passado, aumento de 18,6% em relação a 2024, quando foram 4,3 milhões.
O setor de serviços respondeu por 64% das novas empresas abertas. Nesse segmento, a abertura de MEI cresceu 24,5% em relação ao mesmo período de 2024. Em seguida, aparecem o comércio, com 21% do total, e a indústria, com 7%.
São Paulo (29%), Minas Gerais (11%) e Rio de Janeiro (8%) foram os estados que mais registraram abertura de pequenos negócios em 2025.
Atividades com maior número de novos empreendimentos
Microempreendedores individuais (MEI)
- Atividades de malote e entrega: 22.986 novos MEI (9%)
- Transporte rodoviário de carga: 19.753 novos MEI (7%)
- Atividades de publicidade: 16.091 novos MEI (6%)
Micro e pequenas empresas (MPE)
- Atenção ambulatorial por médicos e odontólogos: 4.981 novas MPE (6%)
- Serviços combinados de escritório e apoio administrativo: 3.949 novas MPE (5%)
- Atividades de saúde, exceto médicos e odontólogos: 3.326 novas MPE (4%)
