Seja presencial, digital, por WhatsApp ou telefone, as tentativas de golpes financeiros no Brasil atingiram um patamar preocupante. Levantamento realizado pela plataforma jurídica Jusbrasil mostra que 129 mil decisões judiciais mencionaram algum tipo de golpe entre 2010 e 2025.

O estudo mostra que os golpes têm ficado cada vez mais sofisticados, com o uso cada vez mais frequente de engenharia social e uso de canais digitais. Entre os tribunais com maior número de decisões relacionadas estão TJSP, TJMG, TJPR, TJRJ e TJMS.

Golpes mais comuns

Entre os golpes mais mencionados nas decisões judiciais, cinco modalidades concentram a maior parte dos registros:

  1. Falso motoboy: 26.908 decisões
  2. Boleto: 24.930 decisões
  3. WhatsApp: 16.640 decisões
  4. PIX: 13.979 decisões
  5. Falsa central de atendimento: 10.608 decisões

Os dados mostram uma escalada especialmente recente em fraudes associadas a transferências instantâneas e simulação de atendimento bancário. O chamado golpe do PIX, por exemplo, passou de 56 decisões em 2021 para 6.491 em 2024. Já o golpe da falsa central de atendimento saltou de duas decisões em 2020 para 5.259 em 2024.

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‘Bença, tia’

Além das modalidades mais recorrentes, o levantamento também identificou golpes baseados em manipulação emocional, como o conhecido “bença, tia!”, que explora vínculos familiares para induzir vítimas, especialmente idosos, a realizar transferências sob pretextos urgentes.

Segundo especialistas, o aumento dessas fraudes evidencia não apenas a sofisticação dos esquemas, mas também a crescente judicialização de conflitos decorrentes de crimes digitais, com discussões frequentes sobre responsabilidade civil de instituições financeiras e fornecedores de serviços.

O estudo foi elaborado com base em decisões públicas disponíveis na base jurídica do Jusbrasil e considerou exclusivamente casos que mencionam expressamente o termo “golpe” em seus autos.