As vendas no varejo brasileiro caíram 1,5% em abril na comparação com o mês anterior, na retração mais intensa em 4 anos, em meio a uma política de juros restritiva, mostrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 16.

Fo a contração foi a mais forte desde junho de 2022, quando houve queda de 2,8%, marcando o primeiro recuo das vendas neste ano, após altas de 0,5% em janeiro, 0,8% em fevereiro e de 0,7% em março. Veja aqui a pesquisa na íntegra.

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Com o resultado, o varejo brasileiro ficou estagnado na média do trimestre encerrado em abril, após avanço de 0,7% no trimestre encerrado em março. No ano, o varejo ainda acumula alta de 2% e, nos últimos 12 meses, de 1,5%.

Frente a abril de 2025, o volume de vendas do varejo cresceu 1,%, após avanço de 4% em março.

O resultado veio também abaixo do esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters era de baixa de 0,60% na comparação mensal e de avanço de 1,95% sobre um ano antes.

O que puxou a queda

Segundo o IBGE, seis das oito atividades pesquisadas tiveram queda: Combustíveis e lubrificantes (-6,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%), Móveis e eletrodomésticos (-0,8%), Tecidos, vestuário e calçados (-0,1%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,1%).

Por outro lado, houve alta em Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3%), que apresenta o maior peso para o índice, e Livros, jornais, revistas e papelaria (1,1%).

“O que estava puxando o índice pra cima nos meses anteriores foi o que justamente caiu em abril. O ponto é que, se antes um consumo mais intensivo em bens não essenciais vinha sustentando a alta, agora essas mesmas atividades devolveram o crescimento”, afirma o gerente da PMC, Cristiano Santos.

Vendas de veículos e de material de construção caem

No comércio varejista ampliadoVeículos e motos, partes e peças registrou queda (-0,7%) assim como Material de construção (-3,6%). Ambos os segmentos são mais dependentes do crédito, sinalizando o impacto dos juros altos no consumo do brasileiro.

O Banco Central decide nesta quarta-feira a nova taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,5% ao ano. A expectativa é de um novo corte de 0,25 ponto percentual. O mercado financeiro passou a projetar, porém, menos cortes em 2026. Segundo o último Boletim Focus , a projeção para a Selic agora é de 13,75% ao final de 2026 e de 12% em 2027, de 13,50% e 11,50% respectivamente na semana anterior.