08/08/2007 - 7:00

GRASSMANN, DO RUPESTRE: projeto para enviar a história de um milhão de pessoas para o espaço
Você gostaria de registrar a história de sua vida para a eternidade? Você precisa contratar manifestantes para um ato público a favor de uma causa? Você aceitaria pagar para manter relações sexuais com uma garota virgem? Pois isso tudo – e muito mais – pode ser encontrado à venda na internet. A rede se transformou num balcão de transações de todo tipo e, assim, há gente ganhando dinheiro e fazendo negócios com elas. Formado em marketing, Paulo Roberto Grassmann resolveu apostar no desejo dos seres humanos de passar à eternidade – e daí surgiu o projeto Rupestre. O cliente gravará sua vida em um CD, que será armazenado dentro de uma esfera especialmente construída para ser lançada ao espaço. Uma outra esfera abrigará fios de seu cabelo e será enterrada. Daqui a centenas de anos, segundo a lógica de Grassmann, nossos descendentes terão acesso à biografia e ao código genético do sujeito.
A primeira etapa do Rupestre será o lançamento do portal na internet, marcado para setembro e “somente” um milhão de pessoas poderam participar. O preço para se tornar “eterno” variará de US$ 25 a US$ 70. Traduzido em sete idiomas, o portal, garante Grassmann, nasceu de uma demanda do mercado. “Criei o Rupestre porque imaginei que haveria interesse por esse serviço”, diz. Num primeiro momento, a idéia pode ser tachada de maluca. Mas certamente receberá o adjetivo de visionária caso Grassmann atinja sua meta de faturamento: US$ 40 milhões. A iniciativa, diz ele, já conta com adesões importantes, como a do astronauta Marcos Pontes, que “estaria planejando o vôo da esfera para o espaço”.
Grassmann segue o caminho já trilhado por alguns portais estrangeiros, que se dedicam a oferecer produtos e serviços, digamos, peculiares. O site alemão erento.com, por exemplo, aluga de tudo um pouco. De Ferraris a dançarinas de strip-tease e, pasmem, manifestantes para protestos públicos. Esse exército de “rebeldes sem causa específica” é formado por estudantes ou aposentados, contratados para ostentar bandeiras de causas sem grande apelo. A diária de um profissional desses não sai por menos de US$ 150. A empresa, localizada em Berlim, recebe 5% sobre a remuneração de cada manifestante de aluguel. Para se ter uma idéia do potencial do negócio, a imprensa européia noticiou que uma manifestação contra uma nova lei de saúde, no começo deste ano, reuniu cerca de 200 membros da Associação de Médicos Alemães. Acontece que 150 desses manifestantes eram alugados e usavam aventais. “Só não aceitamos manifestações nazistas, ou de extrema direita”, diz um dos criadores do site, o alemão Chris Moller.
Resta saber se Moller aceitaria colocar em seu site a proposta de uma estudante inglesa. Com um nome fictício (Carys Copestake), a jovem pretende vender a própria virgindade por 10 mil libras (R$ 38 mil). Copestake colocou um anúncio bem direto em um site de garotas de programa: “Virgindade à venda: 10 mil libras esterlinas. Sou uma virgem de 18 anos com estudos para pagar e quero vender minha primeira vez aqui. Sou morena, olhos verdes, bem distribuída e de boa aparência”. Copestake afirmou que não pretende se tornar garota de programa. Ela garante que quer apenas se formar e também perder a virgindade. “Acho que vou conseguir duas coisas preciosas de uma vez só”, disse.

DE TUDO UM POUCO: (a partir da esquerda) os criadores do site erento.com, o estudante que ganha para contar e a britânica que irá vender a virgindade
Já o estudante americano Jeremy Harper, da Universidade do Alabama, descobriu uma forma menos polêmica (mas igualmente maluca) de ganhar dinheiro na internet. Harper criou o site millioncount.com com o objetivo de receber doações para contar até um milhão. Já pode se considerar bem- sucedido, pois conseguiu receber até agora, próximo de atingir o número 500 mil, cerca de US$ 150 mil. Harper ainda abriu uma loja virtual para vender camisetas com seu rosto estampado. Com uma média de 16 horas por dia contando números, o americano geralmente passa o tempo de seu “trabalho” ao lado de seu cachorro, deitado no sofá ou se exercitando em casa. O único tempo em que não aparece no vídeo de sua página na internet é quando vai trocar de roupa ou está no banheiro. O americano planeja doar metade do dinheiro arrecadado para uma instituição de caridade. Mas metade, pelo menos, já é dele.