19/10/2016 - 0:24
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela anunciou nesta terça-feira o adiamento – do final deste ano para o primeiro semestre de 2017 – das eleições de governadores.
“As eleições regionais (governadores) ficam marcadas para o final do primeiro semestre de 2017”, informou a presidente do CNE, Tibisay Lucena, em mensagem na TV estatal, sem explicar as razões da decisão.
Na mesma mensagem, Lucena disse que “as eleições municipais estão mantidas para o segundo semestre de 2017”.
Nas eleições passadas, em dezembro de 2012, os chavistas conquistaram 20 dos 23 governos estaduais.
A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) reagiu denunciando “ao país e ao mundo uma decisão do CNE que se inscreve no perigoso marco de um regime colocado claramente à margem da Constituição”.
O CNE “pretende ignorar a consulta eleitoral que o povo venezuelano exige com mais urgência e que o regime teme”.
Para o deputado opositor Freddy Guevara, o adiamento das eleições de governadores não desviará o principal foco da oposição: realizar o referendo revogatório do mandato do presidente Nicolas Maduro.
O anúncio agita ainda mais o ambiente político na Venezuela, uma semana antes do recolhimento das quatro milhões de firmas exigidas para a convocação do referendo contra Maduro.
Na véspera, o Supremo decidiu que o recolhimento de firmas para o referendo revogatório exigirá 20% do total de eleitores de cada Estado, e não do conjunto do país.
“A convocação do referendo revogatório exige reunir 20% de manifestações da vontade do corpo eleitoral em todos e cada um dos Estados e do Distrito Capital”, declarou o TSJ. “A falta de recolhimento deste percentual em qualquer dos Estados ou no Distrito Capital tornará inválida a convocação…”.
A oposição rejeita tal exigência, alegando que a lei determina as firmas de 20% do total do eleitorado em nível nacional e não por regiões.
Há duas semanas, Maduro declarou que organizar eleições não é uma prioridade na Venezuela, e sim “recuperar a economia”.
A Venezuela atravessa uma severa crise econômica, marcada pelo desabastecimento e por uma inflação galopante, em parte devido à queda nos preços do petróleo, fonte de 90% das divisas do país.