A onda de violência no mundo árabe e, em particular, na Líbia, abalava as bolsas mundiais, em queda nesta terça-feira, com os preços do barril de petróleo subindo, em meio a temores sobre o abastecimento.

As bolsas de Tóquio (-1,78%) e Hong Kong (-2,11%) caíram no fechamento, enquanto Paris (-1,15%), Londres (-0,30%) e Frankfurt (-0,05%) conseguiram limitar suas perdas após uma abertura em forte queda.

Fechada na véspera por um feriado nacional (Dia do Presidente), a Bolsa de Nova York abriu em baixa: o Dow Jones cedia 0,33% e o Nasdaq -1,35%.

A primeira fonte de preocupação é o petróleo, que alcançou níveis inéditos desde 2008, principalmente pela situação na Líbia, um dos principais produtores de petróleo na África, que traz uma ameaça direta sobre o abastecimento.

Às 17H00 GMT (14H00 de Brasília), no New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de West Texas Intermediate (designação do “light sweet crude” negociado nos EUA) para entrega em março era negociado a 91,47 dólares, em alta de 5,26 dólares em relação a sexta-feira, após alcançar US$ 94,49 pouco após a abertura.

No IntercontinentalExchange de Londres, o barril de Brent do mar do Norte para entrega em abril registrava uma alta de 65 centavos, a 106,39 dólares, após chegar a 108,57 dólares, nível que não alcançava desde 4 de setembro de 2008.

O preço da cesta de 12 qualidades de petróleo bruto utilizado como referência pela Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) superou a barreira de 100 dólares pela primeira vez em dois anos e meio, alcançando os 100,59 dólares, segundo um comunicado divulgado nesta terça-feira pelo cartel.

A OPEP aumentará sua produção de petróleo em caso de escassez no mercado pelas revoltas no Oriente Médio e no norte da África, afirmou nesta terça-feira o ministro saudita de Petróleo, Ali al Nuaimi.

“Os distúrbios na Líbia preocupam particularmente por uma série de razões, incluindo a aparente determinação do regime de usar a força extrema para esmagar a oposição”, disse o analista Julian Jessop, da Capital Economics.

A Líbia é o primeiro grande exportador de petróleo que sofre com grandes protestos, iniciados na Tunísia e no Egito, e o primeiro onde são registrados “significativos transtornos na produção de petróleo”, acrescentou.

A situação no mundo árabe criou uma reação em cadeia no mundo econômico.

Além da paralisação das economias dos países envolvidos – turismo em claro retrocesso, bolsas e bancos fechados durante dias -, ela afeta também empresas estrangeiras instaladas no norte da África.

Frente à violenta revolta e à repressão do regime na Líbia, várias companhias petroleiras instaladas neste país – como a britânica BP, a francesa Total, a italiana ENI, a espanhola Repsol, a norueguesa Statoil e as alemãs Wintershall e RWE Dea–, começaram a evacuar seus funcionários.

Outro dano colateral da situação era a queda do euro em relação ao dólar, em um mercado cambial voltado para os valores refúgio, como o dólar, o ouro ou o franco suíço.

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