06/04/2015 - 18:22
A visita à Rússia na quinta e na sexta-feira do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, em plena negociação com credores internacionais, provoca suspeita em seus parceiros europeus, que receiam que Atenas busque novos horizontes diplomáticos.
Segundo o ministro de Finanças grego, Yanis Varoufakis, uma coisa não tem nada a ver com a outra. “De um lado está a crise financeira grega, que deve se resolver no interior da UE. E de outro as relações com países exteriores à UE, que fazem parte de um campo completamente diferente”, afirmou em uma entrevista nesta segunda-feira ao jornal econômico Naftemboriki.
As notícias da visita geraram advertências dos dirigentes europeus, assim como do presidente do parlamento comunitário, Martin Schulz, que neste fim de semana pediu a Tsipras que “não decepcionem seus companheiros europeus”, afirmou neste fim de semana ao ao jornal alemão Hannoversche Allgemeine Zeitung.
O ministro alemão da Economia, Sigmar Gabriel, minimizou as incógnitas diplomáticas. “Não posso imaginar que alguém em Atenas esteja disposto a dar as costas para Europa para dar as mãos à Rússia”, disse em entrevista ao Rheinische Post.
Varoufakis insiste que a Grécia não está buscando apoio econômico em outros países que não sejam seus parceiros, mas que isso não o impede de ter outras relações diplomáticas.
No entanto, após o início da crise entre a Rússia e o Ocidente pelo conflito na Ucrânia, as visitas de dois dias de um dirigente europeu a Moscou são muito pouco frequentes. A Grécia é um dos países europeus que se opõem às sanções contra a Rússia pela guerra na Ucrânia.
Segundo o gabinete russo, Alexis Tsipras se reunirá na capital russa com o presidente Vladimir Putin e com o primeiro-ministro Dmitri Medvedev para tratar da colaboração econômica e comercial em matéria de investimentos, energia, turismo e cultura.
O ministro das Relações Exteriores, Nikos Kotzias, convidou Tsipras em janeiro após a vitória de seu partido de esquerda Syriza nas eleições legislativas de 25 de janeiro. Em maio Tsipras voltará a Moscou e será um dos poucos líderes europeus que participará na comemoração de 70 anos da vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial.
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