Marcos, aos 3 anos de idade, no colo de Rolim Amaro, em frente a um turboélice. Marcos, com sete anos, na cabine de um Fokker, vigiado por Rolim. Outro porta-retrato e lá está ele de novo, já adolescente, fazendo pose ao lado do comandante. Para qualquer lugar que se olhe no escritório de Marcos Adolfo Amaro, há fotografias com o pai famoso, fundador da TAM. O menino cresceu junto com a companhia aérea, freqüentando hangares, aeroportos, cockpits de aeronaves. ?Adoro esse mundo. É como dizia meu pai: para quem é do ramo, querosene de avião vira chanel número 5?, recorda. Hoje, aos 20 anos, caçula de Rolim divide o tempo entre o curso de economia, na Faap, e os planos para seu primeiro vôo no campo empresarial. Ele é o dono da Amaro Participações (AP) e, embora seja um apaixonado por aviões, vai logo avisando: a companhia nada tem a ver com o setor, tampouco com a TAM. Surpreso com a revelação do herdeiro? Ele explica: ?A empresa da família vai muito bem nas mãos de profissionais do mercado. Eu prefiro seguir carreira solo?. Pois o estreante empreendedor está investindo num nicho que não pára de crescer no Brasil: o mercado de luxo. A AP conquistou recentemente o direito de representar no Brasil a divisão de óculos da Tag Heuer, pertencente ao conglomerado francês LVMH. São produtos que custam entre R$ 1,6 mil e R$ 1,8 mil. ?Ainda não havia uma linha top de óculos esportivos no País. Estou animado com os futuros resultados desse acordo?, diz o empresário.

Em oito meses de mercado, a linha Tag Heuer já vendeu 5,6 mil unidades. Pelos cálculos do empresário, a marca vai atingir, em dois anos, receitas anuais de R$ 4,5 milhões. Com esse volume, o Brasil estará entre os cinco maiores clientes da grife. ?Optamos por trazer um nome reconhecido no mundo todo, principalmente pela tecnologia empregada em seus produtos?, diz Marcos. Ele se refere a novidades como o uso do elastômero, borracha maleável dos pneus dos carros de Fórmula 1, nas hastes dos óculos. O material, além de conferir leveza ao produto, evita quebras e deformações nas hastes. ?Isso sem contar as lentes de policarbonato que podem resistir ao impacto de estilhaços em altíssima velocidade?, comenta o empresário. ?É o único modelo aprovado pela Federação Internacional de Automobilismo para ser usado sob o capacete dos pilotos?. Não por acaso, a Tag Heuer fez de Michael Schumacher um dos embaixadores da marca.

 Além da importação dos produtos, a AP cuidará do marketing e de todo o planejamento estratégico da Tag no País. A parte de distribuição ficará com um dos parceiros da empresa, a C3 do Brasil. ?Eles tem experiência nesse mercado, pois já trabalham com Hugo Boss e outros ícones da moda?, conta o filho de Rolim. Hoje, os óculos da marca estão presentes em 60 pontos de venda no Brasil, mas a meta é atingir em dois anos 200 lojas. ?A Tag é apenas a primeira das grifes que estamos trazendo. Já estou em negociação com outras?, diz Marcos, sem revelar nomes. Se depender da vontade do empresário, a atuação da AP não ficará restrita a esse nicho. Em médio prazo, ele promete transformá-la numa caçadora de oportunidades, uma companhia com investimentos em diversos setores. ?Vamos analisar a economia brasileira, os segmentos em expansão e acompanhar o barco do desenvolvimento. Pintou um bom negócio, em qualquer área, e estaremos lá?, avisa. Agora mesmo, ele anda estudando a suinocultura, principalmente para exportação. Cita como exemplo o potencial no mercado japonês. ?Os japoneses consomem 35% da carne suína do mundo e só importam o produto. Ainda há uma barreira tarifária grande por lá, mas em breve isso será revisto e quando acontecer eu não vejo fornecedor com vantagens competitivas maiores que o Brasil”, analisa.

A AP nasceu há pouco mais de um ano, quando Marcos convidou Ricardo Maeda, um executivo do mercado financeiro que cuidava da gestão de seu patrimônio pessoal, para ajudar na prospecção de novos negócios. Surgiu o segmento de luxo como ponto de partida. O plano era rodar o mundo atrás de uma grife disposta a entregar a representação de sua marca. Acompanhado de executivos da C3 do Brasil, Marcos foi à China, aos EUA e à Europa. A equipe acabou fechando negócio com a Tag Heuer em Paris. O nome de família ajudou? ?Mentiria se dissesse que TAM e Rolim não abriram portas?, admite o empresário. ?Mas houve uma confiança grande em nosso projeto?..