24/11/2004 - 8:00
Quem se depara com o sorridente senhor de 71 anos, voz calma e de olhar atento, não imagina que Irwin Jacobs, fundador da Qualcomm, empresa que desenvolveu a tecnologia celular batizada de CDMA, é um personagem em busca de novidades. Antes de ser avô de nove netos e pai de quatro filhos, Jacobs foi professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, uma das principais instituições de ensino dos Estados Unidos, criou uma empresa de codificação chamada Linkabit e após três meses de declarar sua aposentadoria, em 1985, fundou a Qualcomm, a qual dirige até hoje. Apesar de coordenar diariamente os passos futuros para o mercado de celulares e transmissão de dados em alta velocidade, Jacobs ainda investe e participa de eventos culturais.
Esse vovô tecnológico, que tem uma fortuna pessoal de US$ 930 milhões, gasta parte do seu dinheiro com projetos da Faculdade de Engenharia, de Tecnologia da Informação e Centro de Estudo da Retina da Califórnia. Irwin, que na juventude foi cozinheiro profissional, vive em viagens para se atualizar e informar clientes sobre as novidades da tecnologia celular. Um de seus últimos destinos foi Florianópolis, onde apresentou o serviço de localização de pessoas e endereços no celular durante a feira Futurecom. A bordo de seu jato particular, Jacobs e sua esposa Joan deixaram a cidade para visitar a Bienal de Artes de São Paulo. Sua última criação, no entanto, nada tem a ver com o mundo da tecnologia. Trata-se de um novo espaço cultural na Califórnia, o Joan and Irwin Jacobs Center. O executivo desembolsará US$ 11,5 milhões para construir as salas de entretenimento, galeria, complexo educacional e restaurante nos 4,1 mil metros quadrados em que o espaço ocupará na Universidade Estadual de San Diego. Esse será o segundo espaço batizado com o nome do casal. Uma das primeiras iniciativas de Jacobs no cenário cultural foi a doação para criar a sala de exibição de filmes fotográficos no Museum of Photographic Art, de San Diego. A cidade californiana ainda conta outras doações de Jacobs, como o estádio de beisebol Qualcomm, onde foram investidos outros US$ 18 milhões para reforma e ampliação, e a Filarmônica da cidade, que recebeu recentemente US$ 120 milhões de Irwin Jacobs.