17/11/2004 - 8:00
Décio da Silva, o presidente da WEG, a maior fabricante de motores elétricos do Brasil, só não aprendeu mandarim. Mas conhece tudo de China. Ele passou um ano estudando a fundo o mercado mais cobiçado do planeta. Descobriu, por exem-
plo, que o setor em que atua vende por lá US$ 360 milhões ao ano ? o equivalente ao que toda a América Latina fatura anualmente no negócio. Também notou que é extremamente pulverizado. Existem, diz Silva, perto de mil pequenas e microempresas fornecendo motores para áreas como siderurgia e mineração. A concorrência seria feroz, sem dúvida, mesmo assim valia o risco. E Silva bancou. Na semana passada, a WEG comprou do governo chinês a Nantong, localizada a três horas e meia de Xangai. O grupo nacional, dono de receitas anuais de R$ 2,4 bilhões, com presença em 100 países, quatro fábricas no exterior e campeã do setor de material elétrico no ranking das melhores empresas do Brasil, feito pela DINHEIRO, dá um grande passo rumo à internacionalização. Ele só não revela quanto gastou na compra, mas DINHEIRO apurou que é perto de US$ 10 milhões. ?Era necessário termos uma fábrica lá. É o nosso pé na Ásia?, diz Silva, filho de Eggon João da Silva, um dos fundadores da WEG.
No mês passado, o grupo havia dado mostras que o continente asiático estava no topo da lista de prioridades ao abrir uma filial comercial na Índia. Essa unidade se junta à operação no Japão (uma parceria com a Mitsui, que atua em mineração, petroquímica e comércio exterior) e ao escritório de vendas na Austrália. Sim, Austrália, porque está claro para a WEG que essas regiões precisam estar juntas no seu mapa múndi. Cabe aos demais países dividirem-se entre a Europa e as Américas, onde mantém outras unidades. Das suas oito fábricas, quatro estão no País, uma em Portugal, duas na Argentina e outra no México. Hoje, a empresa nascida em 1961 em Jaraguá do Sul (SC) é um dos poucos grupos nacionais com força para encarar rivais de peso como a alemã Siemens no setor mundial de motores elétricos, que movimenta US$ 9 bilhões ao ano. A última tacada mostra isso. ?Ir para China foi uma boa decisão?, diz Lucas Brendler, analista da Geração.
?Com essa fábrica, vamos aumentar a exportação para a região asiática e Austrália dos atuais US$ 12 milhões para US$ 50 milhões em 2005?, garante Silva. A Weg lançou mão de uma fórmula simples. Ela está convencida que ter uma unidade abrirá portas que um centro de vendas não é capaz de fazer sozinho. Exemplo? Um escritório estaria limitado a peças acabadas, enquanto a fábrica, além de atender a demanda local, funcionará como montadora de motores semi-prontos, agilizando a operação e ampliando a gama de produtos. Esses artigos que ela pretende comercializar na região vão suprir setores em expansão, como siderurgia, mineração e têxtil. E a WEG não vai economizar. No primeiro ano, aplicará US$ 3 milhões na Nantong. Com isso, a sua receita subirá dos atuais US$ 12 milhões para US$ 15 milhões em 2005. E os US$ 50 milhões? É fácil. Com uma unidade por lá, o Brasil aumentará suas exportações e completará a diferença, porque está claro que o País sempre responderá pela maior parte dos seus embarques. Neste ano, a WEG obteve receitas de R$ 1,1 bilhão no exterior. Desse total, as fábricas brasileiras responderam por 80%.