16/03/2011 - 2:02
A poderosa organização americana de defesa das liberdades civis Aclu escreveu nesta quarta-feira ao secretário de Defesa Robert Gates para denunciar as condições de detenção “desumanas” do soldado Bradley Manning, acusado de ter fornecido milhares de documentos ao WikiLeaks.
“Escrevemos ao senhor para expressar nossa grande preocupação com as condições desumanas em que está detido o soldado Bradley Manning na prisão militar de Quantico”, escreveu Anthony Romero, diretor da Aclu na carta divulgada à imprensa.
Ele lembra que Bradley Manning “não foi declarado culpado de crime algum” e que sua prisão preventiva deveria preservá-lo de “sanções punitivas” infligidas, segundo ele, “gratuitamente” pelo Pentágono.
“A Suprema Corte estabeleceu que o governo viola a VIII emenda da Constituição proibindo castigos cruéis e não habituais quando ‘inflige um sofrimento arbitrário e sem motivo'”, prosseguiu Romero.
“Nenhuma razão legítima justifica deixar Bradley Manning (…) em isolamento sem qualquer atividade, privado de sono, com as inspeções multiplicadas durante a noite, sem a possibilidade de se exercitar, mesmo em sua cela, e sem seus óculos para que não possa ler”, enumerou.
O Pentágono “não tem mais motivo legítimo para exigir que o soldado Manning que fique totalmente nu, de pernas afastadas, com as genitais expostas diante dos guardas e agentes presentes”.
“O real objetivo de um tratamento como esse é humilhar e traumatizar” o prisioneiro, considerou Romero, pedindo a Gates que “tome todas as medidas necessárias para garantir que o soldado Manning seja tratado humanamente e no respeito à lei”.
Bradley Manning, 23 anos, está preso desde julho de 2010 por ter transmitido para o WikiLeaks milhares de documentos secretos americanos. Ele foi acusado principalmente de “conluio com o inimigo” e pode ser condenado à prisão perpétua.
lum/dm