O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, advertiu neste sábado em Londres que não “tolerará” os ataques contra a liberdade de imprensa, denunciando as “ameaças” americanas de processar os que divulgarem documentos confidenciais do Exército sobre a tortura no Iraque.

“O Pentágono, de forma extraordinária, pediu (ao WikiLeaks) há umas quatro semanas que esse material fosse destruído”, disse Assange, referindo-se aos 400 mil documentos sobre a tortura no Iraque divulgados na sexta-feira pelo site.

“O Pentágono queria destruir totalmente esta informação a fim de privá-la da população, a fim de que as vítimas sejam privadas de justiça. Essa ameaça de atacar na justiça (o WikiLeaks) em virtude da lei sobre a espionagem foi proferida contra a imprensa do mundo inteiro. Nós não toleraremos esse tipo de violação da liberdade de imprensa”, declarou.

“O Pentágono e a Hillary (Clinton, a secretária americana de Estado) devem voltar a entrar em sua concha”, acrescentou.

“Talvez existissem razões para manter secretos estes documentos na época em que foram escritos, mas agora isso pertence ao passado. Os documentos não têm nenhuma consequência tática. Na realidade, as tentativas de mantê-los secretos são uma tentativa de limpar a memória pública e impedir que o governo (americano) seja criticado”, afirmou.

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