Acabado de ser nomeado primeiro-ministro de Israel, o centrista Yair Lapid, ex-astro de televisão israelense, viajou a Paris para visitar o presidente francês Emmanuel Macron, um “amigo” que, como ele, simboliza uma nova geração de líderes liberais e centristas que lutam contra os “extremos”.

Depois de mais de uma década do reinado de Benjamin Netanyahu, que alinhou a política externa israelense com a dos republicanos americanos, Lapid tenta desde 2019 reconstruir pontes com os democratas no governo em Washington e com os europeus.

Em sua agenda estão a questão da renovação do acordo sobre o programa nuclear iraniano entre as grandes potências e Teerã, e o acordo entre Israel e Líbano -assinado na quinta-feira- para delimitar sua fronteira marítima e favorecer a exploração de campos de gás no Mediterrâneo Oriental .

Fundador e líder do partido de centro Yesh Atid (“Há um futuro”), Lapid espera continuar à frente do governo após as eleições legislativas que acontecerão na terça-feira em Israel, embora para isso tenha que formar um coalizão ainda mais ampla do que a que ele derrotou Netanyahu em 2021.

– Novela israelense –

Nascido em novembro de 1963 em Tel Aviv, cidade onde se concentra sua base eleitoral, Lapid é filho do falecido jornalista Tommy Lapid, ex-ministro da Justiça com Ariel Sharon.

Sua mãe, a escritora Shulamit Lapid, é um dos grandes nomes do romance policial israelense, com uma série de obras cujo protagonista é um jornalista.

Patriota, liberal e laico, é rejeitado por judaicos ortodoxos, principais aliados de Netanyahu, com os quais insiste em estabelecer laços.

Divorciado, casado novamente, Yair Lapid é pai de três filhos, dois deles com sua atual esposa, Lihi.

– A favor de dois Estados –

Quando em 2012 esse jornalista com ares de George Clooney deixou a televisão para lançar seu partido Yesh Atid, seus detratores o repreenderam por brincar com sua imagem de galã de cinema e não o levavam a sério.

Lapid apostou em um discurso econômico focado nos problemas da classe média para se impor no cenário político e fazer com que seu jovem partido se tornasse a segunda força atrás do Likud de Benjamin Netanyahu (direita) a partir das eleições de janeiro de 2013.

Quase dez anos depois, após as eleições legislativas de 2021, Lapid cumpre o objetivo que se propôs: tirar do poder Netanyahu, o primeiro-ministro há mais tempo no cargo na história de Israel e acusado de corrupção em uma série de casos.

Para isso, formou com seu amigo Naftali Bennett (do partido Yamina, direita radical) uma coalizão com partidos de direita, esquerda e centro e, pela primeira vez, uma formação árabe.

Este governo com Bennett à frente implodiu um ano depois e em 1º de julho Lapid o sucedeu até a formação de um novo Executivo após as eleições de terça-feira.

Desde que chegou ao poder, Lapid manteve um ritmo constante de operações militares na Cisjordânia ocupada, dando sinal verde para uma forte ofensiva contra a Jihad Islâmica em Gaza.

No entanto, ele se declarou a favor de negociações com base em uma “solução de dois Estados”, com uma Palestina viável ao lado de Israel.