01/06/2005 - 7:00
Seiscentos e sessenta. É neste número que a japonesa Yamaha está apostando as suas fichas no Brasil. A empresa lançou recentemente a moto XT 660R, a primeira produzida por aqui com catalisador e injeção eletrônica. O modelo é uma evolução tecnológica da famosa Ténéré, sucesso entre motociclistas do mundo inteiro nas décadas de 80 e 90. E é o primeiro passo da Yamaha brasileira em direção à nova era das motos: a era das ?injetadas?. A partir de 2009, de acordo com as normas do Ibama e do Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares (Promot), todas as ?duas rodas? do País terão um limite na emissão de gases como o monóxido de carbono. E o melhor jeito de controlar as fumacinhas ainda é adotar a dupla injeção-e-catalisador, que até agora era exclusividade das importadas no Brasil.
Com o lançamento da Yamaha, a pergunta que surge é a mesma de 15 anos atrás, quando foi trazida a tecnologia de injeção eletrônica para os automóveis do País: quanto tempo levará até que todas as motos brasileiras sejam equipadas com catalisador e tragam a letrinha ?i? no nome? ?Há outras maneiras de controlar a emissão de poluentes em motos, mas a injeção é a melhor?, explica Moacir Paes, diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo). Segundo ele, todas as motos do Brasil já atendem a segunda fase da norma do Promot, que limita a emissão de monóxido de carbono em 5,5 gramas por quilômetro rodado. A Yamaha diz que tomou a dianteira. ?Fomos os primeiros e estamos investindo pesado para adequar nossa linha inteira. Inauguramos agora um laboratório de emissão de gases, que nos custou US$ 2,5 milhões?, afirma Aurélio Maranha, diretor de vendas da Yamaha do Brasil. A arqui-rival Honda também já adequou os seus produtos por aqui, mas, pelo menos por enquanto, injeção eletrônica, só nas importadas da marca.
O empenho da Yamaha em arrancar na frente é parte do esforço para aumentar sua participação no mercado, ainda em 15%, e deixar a Honda, que tem 80%, experimentar um pouquinho do gosto da poeira. ?Queremos atingir 25% de participação e chegar a 600 pontos de venda em 2008?, diz Maranha. Hoje, são 417 revendas. Mais a curto prazo, as expectativas também são altas. O diretor prevê que o faturamento da divisão de motos da Yamaha brasileira, que no ano passado ficou em R$ 572 milhões, chegue a R$ 850 milhões já em 2005. A ?turbinada? virá ainda na capacidade de produção: atualmente são produzidas 250 mil motos por ano. Até o fim deste ano, deverão ser 350 mil. O número seiscentos e sessenta poderá, afinal, não ser o único número da sorte na Yamaha. ![]()