Viktor Yanukovytch, chefe de Estado destituído da Ucrânia, afirmou nesta terça-feira que continua sendo o “presidente legítimo” do país e que em breve retornará a Kiev. “Continuo sendo não apenas o único presidente legítimo da Ucrânia, mas também o comandante em chefe”, disse em sua primeira aparição pública em uma semana na cidade russa de Rostov-Don. “Quando as circunstâncias permitirem – e tenho certeza de que não será necessário esperar muito -, retornarei sem dúvida alguma a Kiev”, completou o presidente destituído após três meses de manifestações que deixaram quase 100 mortos. “Me dirijo à comunidade internacional: ninguém tem o direito de apoiar um golpe de Estado”, afirmou Yanukovytch, que chamou o novo governo pró-Ocidente de “bando” composto por “ultranacionalistas e neofascistas”. Mas em nenhum momento mencionou o referendo previsto para domingo, com o respaldo de Moscou, para anexar península da Crimeia à Rússia e até pareceu não concordar com a postura de Moscou. “As ações de vocês tiveram como consequência a separação da Crimeia e, mesmo sob a ameaça das armas, a população do sudeste está exigindo respeito”, declarou aos novos dirigentes do país. “Vamos superar estes distúrbios. O país vai recuperar-se e reconquistar a unidade”, disse. Moscou, que enviou milhares de homens a Crimeia e parece apoiar a perspectiva de uma separação do país, já afirmou que Yanukovytch não parece ter futuro político. bur-sjw/fp