O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, prometeu defender até o fim a cidade de Bakhmut da ofensiva russa, ao receber nesta sexta-feira (3) em Kiev dirigentes da União Europeia (UE), que apoiaram a candidatura de adesão da ex-república soviética ao bloco.

Há semanas, Bakhmut, no leste da Ucrânia, é o epicentro dos combates, quase um ano depois do início da invasão russa.

“Ninguém entregará Bakhmut […]. Vamos lutar tanto quanto pudermos” para defender essa “fortaleza”, declarou Zelensky.

O presidente pediu que as entregas de armas ocidentais a Kiev se “acelerem”, sobretudo as de longo alcance.

Jornalistas da AFP constataram nesta sexta-feira a violência dos enfrentamentos, que reduziram a ruínas alguns subúrbios de Bakhmut.

Do centro da cidade emanavam várias colunas de fumaça e os helicópteros militares ucranianos sobrevoavam as planícies geladas muito perto do nível do solo para evitar sua detecção.

Segundo as autoridades, na localidade, que antes da guerra tinha cerca de 70.000 habitantes, restam apenas 6.500.

Na quinta-feira, uma pessoa morreu e outras sete ficaram feridas em um ataque contra um veículo que transportava socorristas voluntários, informaram as autoridades locais.

Oleksander Tkachenko, de 65 anos, contou que, junto com vizinhos, correu para retirar uma mulher dos destroços de seu veículo após um ataque. Ela “claramente” não era um alvo militar, pois seu carro “era vermelho”, denunciou.

Em Kherson, a grande cidade do sul que estava sob controle russo e foi reconquistada pelas forças ucranianas no fim do ano passado, também foram registrados bombardeios, que mataram uma pessoa e feriram outra, segundo as autoridades.

– ‘A Ucrânia é a UE, a UE é a Ucrânia’ –

Em Kiev, vários dirigentes da UE, liderados por Charles Michel, presidente do Conselho Europeu (formado pelos governos dos 27 países-membros) e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), se reuniram com Zelensky e manifestaram apoio à adesão da Ucrânia ao bloco.

Zelensky afirmou que seu país não perderá “nem um só dia” para cumprir os requisitos de integração e acrescentou que quer começar as negociações “este ano”.

A Ucrânia é candidata à adesão desde junho de 2022, um processo que requer numerosas reformas e que poderia levar anos, mas que o governo ucraniano espera acelerar.

Em um comunicado, os dirigentes europeus destacaram os “progressos” da Ucrânia na criação de instituições “independentes e eficazes” de luta contra a corrupção.

“A Ucrânia é a UE, a UE é a Ucrânia”, afirmou Charles Michel ao término da cúpula na capital, onde as sirenes antiaéreas foram acionadas em duas ocasiões nesta sexta.

Desde o início da ofensiva russa, a Ucrânia se beneficiou da ajuda financeira e militar de seus aliados ocidentais, desde artilharia até sistemas de defesa antimísseis.

Os Estados Unidos anunciaram um novo pacote de assistência, de 2,2 bilhões de dólares em armamento, que inclui foguetes que podem aumentar significativamente o alcance da artilharia ucraniana.

França e Itália entregarão um sistema de defesa antiaérea terra-ar de médio alcance MAMBA, para ajudar a Ucrânia a “se defender dos ataques de drones, mísseis e aviões russos”, informou o Ministério da Defesa francês.

– Utilizar os ativos russos? –

Von der Leyen revelou que a UE prepara novas sanções contra a Rússia para 24 de fevereiro, data em que a invasão completará um ano.

Ela não ofereceu detalhes dos planos para esse décimo pacote de medidas, mas afirmou que Moscou deve “pagar pela destruição que causou”.

A presidente da Comissão Europeia indicou que o teto imposto ao preço das exportações russas de petróleo em 60 dólares o barril, que está em vigor desde dezembro, custa a Moscou 160 milhões de euros por dia.

Neste domingo, também entrará em vigor um embargo europeu aos produtos petrolíferos refinados russos exportados por via marítima, uma medida que, segundo Moscou, terá um impacto “negativo” porque “desequilibrará ainda mais” os mercados.

Em sua declaração conjunta depois da cúpula em Kiev, os dirigentes europeus afirmaram que “a UE intensificará seus esforços destinados a utilizar os bens congelados da Rússia para apoiar a reconstrução da Ucrânia e com fins de reparação, em concordância com o direito europeu e o direito internacional”.

Kiev e alguns de seus aliados reivindicam essa medida há meses, mas isto ensejaria vários problemas legais.

Por sua vez, a Rússia anunciou a “nacionalização” de aproximadamente 500 bens e ativos pertencentes, sobretudo, a oligarcas ucranianos na Crimeia, península que Moscou anexou em 2014.