06/10/2004 - 7:00
Pergunte ao empresário Renato Kherlakian, da Zoomp, se é verdade que ele está para se aposentar. Mestre nas metáforas, ele dirá: ?Faz 30 anos que eu acordo de manhã e venho feliz para essa empresa. Aos 54, continuo tão excitado quanto nos primeiros dias. Não vou sair agora, bem na hora do Viagra?. Kherlakian refere-se à injeção de capital que ele espera receber em breve com a possível abertura de capital da Zoomp. ?Passamos os últimos cinco anos nos reestruturando. Ir ao mercado é uma possibilidade, mas há outras?, diz. Que outras? Fusão, aquisição ou até a venda da empresa, admite ele.
Depois do turbulento final da década de 90, e embora ainda encontre dificuldades de reposicionamento, a Zoomp vive um momento melhor hoje. Graças a uma chacoalhada geral, que começou com o fechamento da fábrica, em 1999. A produção foi desviada para 70 fornecedores terceirizados e o quadro de funcionários, reduzido de 1,2 mil para 500. Kherlakian também baixou as portas de metade das 83 lojas, reformou dez (ao custo de R$ 500 mil cada) e aumentou a presença da grife em pontos multimarca ? hoje são 780 em todo o País. ?Ainda constituímos conselho de administração, passamos a auditar o balanço e nos adequamos às normas americanas de contabilidade, a USGAAP?, completa Márcio Guimarães, diretor-financeiro contratado nesse turbilhão para cuidar do cofre. Resultado: as dívidas caíram de R$ 40 milhões para R$ 18 milhões e as vendas, apesar dos altos e baixos (leia abaixo), estão na ascendente.
Então chegou a hora de lançar ações? Ainda não. Kherlakian, que já esteve na Bovespa para ver como a coisa funciona mas não encaminhou nenhuma documentação nesse sentido à CVM, tem projetos para concluir. Um deles é reforçar sua segunda marca, a Zapping. Com uma única loja monomarca e 600 multimarcas, ela já representa 29% do faturamento. Outra aposta, que o empresário não confirma mas o mercado comenta: perfumes Zoomp podem estar vindo aí. E, por fim, consolidar a internacionalização da marca. Já há uma Zoomp em Jacarta (Indonésia) e escritórios nos EUA, Europa e Ásia. O plano é elevar as exportações de US$ 2 milhões para US$ 7 milhões em 2006. ?A abertura de capital não é um fim. É parte do processo?, diz Guimarães.
O fim é transformar a Zoomp numa gestora de marcas. Lá fora é assim. As grandes grifes não pertencem mais a seus criadores, e sim a conglomerados gigantescos como a americana Limited, dona da Victoria?s Secret. Com cinco marcas no portfólio e 4 mil lojas ao redor do mundo, ela fatura US$ 9 bilhões. Ou a VF, que já tinha a Lee e a Wrangler e acaba de comprar a Kipling. ?Esses grupos têm um poder de negociação com fornecedores e distribuidores incrível?, destaca Edson D?Aguano, diretor da Consultive, consultoria especializada em moda. ?E quando uma das marcas vai mal, o dinheiro gerado pelas demais garante sustentação sem a necessidade de se tomar medidas desesperadas, como popularização ou redução de preços.? Kherlakian não esconde que gosta desse jogo. E já sabe até em que parte do campo atuar: ?Adquirir marcas consolidadas pode ser mais interessante que criar outras do zero.? Por isso ele não vê a hora de tomar o seu Viagra no mercado de capitais. ![]()
A EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO
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